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Nos últimos anos, Taiwan passou de fabricante de computadores a potência mundial em semicondutores. Como essa transformação foi possível? Há cerca de cinquenta anos, o governo de Taiwan decidiu investir em pesquisa e na fabricação de semicondutores. Compramos tecnologia, enviamos engenheiros ao exterior para realizar treinamentos e criamos parques tecnológicos próximos às universidades. Com o tempo, deixamos de apenas licenciar tecnologia para desenvolver soluções próprias. Hoje em dia, temos um ecossistema integrado, que reúne pesquisa, indústria e governo e se tornou a base da liderança de Taiwan.
Qual é a estratégia do país para liderar a corrida da inteligência artificial? Durante muito tempo produzimos hardware para empresas estrangeiras. Agora queremos oferecer uma solução completa. Quem vem a Taiwan encontra toda a cadeia necessária para construir infraestrutura de inteligência artificial, dos chips aos servidores e sistemas. Nossa meta é transformar o país em um centro global de soluções para IA, trabalhando em parceria com empresas como Nvidia, Google, Microsoft e Meta.
Qual é o papel das universidades nesse modelo bem-sucedido? Elas trabalham em estreita colaboração com a indústria. Os professores desenvolvem pesquisas voltadas para problemas reais das empresas e os estudantes participam desses projetos desde cedo. Isso acelera a inovação e forma profissionais preparados para ingressar rapidamente no mercado. É um modelo que fortalece tanto a pesquisa quanto a competitividade da indústria.
Taiwan enfrenta escassez de profissionais qualificados, assim como ocorre em muitos outros países, inclusive no Brasil? Esse é um dos nossos maiores desafios. A população está envelhecendo rapidamente e precisamos ampliar a formação de talentos. Por isso buscamos aumentar a colaboração internacional entre universidades, pesquisadores e empresas. Queremos compartilhar o nosso conhecimento e desenvolver tecnologias em parceria com outros países.
Além dos semicondutores, quais serão as próximas apostas tecnológicas de Taiwan? Estamos investindo em fotônica de silício, que permitirá redes de comunicação mais rápidas e eficientes, em robótica baseada em inteligência artificial e em computação quântica. A ideia é combinar essas tecnologias com nossa liderança na fabricação de chips.
Como Taiwan equilibra o desenvolvimento da inteligência artificial com a soberania tecnológica e a segurança nacional? Construindo nossa própria infraestrutura de IA. Isso significa criar data centers em Taiwan, desenvolver modelos treinados com nossa língua, cultura e necessidades locais e garantir que dados sensíveis permaneçam no país. Também investimos em aplicações para a saúde e em tecnologias de defesa, porque a IA já é parte da segurança nacional. Ao mesmo tempo, avançamos na regulação para proteger direitos humanos, garantindo que a tecnologia beneficie a sociedade.
A expansão da IA exige cada vez mais energia. Como o país pretende atender a essa demanda? É um desafio enorme. Estamos ampliando fontes renováveis, discutindo a retomada da energia nuclear e avaliando novas alternativas.
Muita gente teme que a IA destrua empregos. O senhor compartilha dessa preocupação? Algumas profissões certamente serão transformadas. A IA já consegue executar tarefas que antes exigiam muito tempo, como produzir textos ou organizar informações. A resposta não é resistir à tecnologia, mas preparar os trabalhadores para utilizá-la. Novas funções surgirão, principalmente em áreas nas quais o julgamento humano continua indispensável.
Publicado em VEJA, julho de 2026, edição VEJA Negócios nº 28
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