O paradoxo entre os níveis de utilização e a confiança.
O estudo “Índice de Confiança do Consumidor em Tecnologia no Sudeste Asiático”, conduzido pela Vero e pela Kadence International por meio de uma pesquisa online com mais de 3.000 consumidores em seis países, incluindo o Vietnã, revelou uma tendência clara: o alto uso de tecnologia não equivale a altos níveis de confiança.
No contexto da digitalização cada vez mais disseminada, os consumidores continuam a utilizar determinadas plataformas e serviços digitais por conveniência, hábito ou simplesmente por existirem poucas alternativas.
Essa discrepância é mais evidente nas redes sociais. Embora utilizadas por 79% dos consumidores — um número significativamente maior do que a média regional de cerca de 38% para grupos de tecnologia — elas apresentam a menor ou a segunda menor pontuação de confiança em todos os mercados, com uma média de apenas 67,8.
Por outro lado, setores como telecomunicações, comércio eletrônico, serviços de transporte por aplicativo, segurança cibernética e armazenamento em nuvem registraram níveis de confiança mais altos do que as taxas de uso. A IA generativa também ficou entre as tecnologias com baixíssimos índices de confiança, indicando que as tecnologias emergentes ainda não se consolidaram.
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Os destaques positivos pertencem ao internet banking e aos pagamentos digitais, que apresentam altas taxas de utilização e posições de liderança, com índices médios de confiança de 81,7 e 80,4, respectivamente. O setor fintech alcançou esse resultado graças a um arcabouço legal cada vez mais claro, aliado a padrões de segurança consolidados e ampla comunicação.
Ashutosh Awasthi, diretor da Kadence International, observou que a frequência de uso é um sinal importante, mas não uma medida completa da confiança do consumidor. A discrepância entre os níveis de uso e os níveis de confiança demonstra que a relação entre consumidores e tecnologia é muito mais complexa.
Isso impõe uma demanda maior às marcas, exigindo que elas não apenas entendam com que frequência os clientes usam seus produtos, mas também o nível de confiança por trás desse comportamento. Para sustentar o crescimento, as empresas precisam construir confiança suficiente para que os consumidores continuem escolhendo seus produtos, mesmo com a mudança de expectativas e riscos.
Transparência e conformidade legal são prioridades.
Com a crescente integração da tecnologia no cotidiano, os usuários exigem padrões mais elevados de segurança para seus dados pessoais. Até 79% dos entrevistados classificaram fraudes e golpes online como seus maiores riscos, seguidos pelo uso indevido de dados pessoais (49,5%). Notavelmente, 42% dos participantes afirmaram que interromperiam imediatamente o uso de uma marca ou plataforma caso ocorresse um incidente grave. Somente no Vietnã, 49% dos usuários optaram por suspender temporariamente o uso do serviço até que o problema seja resolvido.

Quando ocorrem vazamentos de dados, os usuários geralmente não confiam totalmente nas explicações de CEOs ou fundadores de empresas. Em vez disso, especialistas independentes em segurança cibernética se tornam a fonte de informação mais confiável em 4 de 6 mercados, particularmente na Indonésia (51%) e no Vietnã (44%).
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Pesquisas da Vero e da Kadence International também apontam três fatores-chave para a construção da confiança: conformidade legal, reputação comprovada e transparência nas operações. No Vietnã e na Tailândia, o critério mais bem avaliado por 26% dos usuários é a explicação clara da empresa sobre como coleta e utiliza dados pessoais. Enquanto isso, usuários em Singapura (36%), Malásia (28%) e Filipinas (23%) consideram a aprovação de órgãos reguladores como a evidência mais clara de confiabilidade.
As conclusões do relatório confirmam que, na era digital, o reconhecimento da marca ou o tamanho da base de usuários não são mais a única medida de sucesso. O maior desafio para as empresas de tecnologia é criar elementos que façam os consumidores se sentirem protegidos, bem informados e confiantes o suficiente para se comprometerem a longo prazo.
Do ponto de vista dos órgãos reguladores, a tarefa central é garantir que os mecanismos de proteção ao consumidor sejam implementados de forma transparente e aplicados com eficácia, reforçando assim a confiança de que as empresas de tecnologia são sempre monitoradas e aderem aos mais altos padrões de responsabilidade.
Fonte: https://baotintuc.vn/khoa-hoc-cong-nghe/nghich-ly-cong-nghe-dung-nhieu-chua-chac-da-tin-tuong-20260804170605799.htm
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