As duas pontas da ponte que liga Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai, finalmente se encontraram sobre o Rio Paraguai. O chamado ‘beijo das aduelas’ foi oficializado na manhã desta quinta-feira (23), mas com um contratempo: chuva e vento fecharam os aeroportos da região e deixaram em terra o governador Eduardo Riedel e o presidente paraguaio Santiago Peña. As estruturas já haviam se tocado na noite de 15 de julho de 2026.

Apesar da ausência das autoridades, a cerimônia seguiu marcando o encontro físico dos dois lados da estrutura. O momento coroa uma travessia que começou muito antes do concreto.


Quatorze anos entre uma ideia e o concreto
O projeto da Rota de Integração Latino-Americana (RILA) nasceu em 2012, mesmo ano em que Cláudio Cavol assumiu a presidência do Setlog-MS. De lá pra cá, foram quatorze anos de insistência. Durante entrevista, Cavol resumiu o vínculo com a empreitada: ‘Começamos esse projeto há 14 anos’, disse, antes de completar: ‘É o nosso xodó.’


Do desenho às primeiras rodas girando, foram cinco anos. A primeira grande expedição organizada por Cavol saiu em 2017, levando cerca de noventa empresários, transportadores e produtores rurais de Campo Grande até os portos chilenos de Antofagasta e Iquique. No trajeto, o grupo enfrentou esperas de até três horas nas aduanas bolivianas.




Seis anos depois da primeira, uma nova caravana percorreu o corredor da RILA em novembro de 2023, com 35 veículos e 108 pessoas. Coube a Jaime Verruck avaliar o que a viagem mostrava: era preciso saber ‘como é que está a percepção das pessoas ao longo da Rota’ e encarar ‘uma série de desafios’ no corredor.


A ponte que promete mudar o Estado
As obras da ponte começaram em julho de 2022 e, após cerca de quatro anos, chegaram à união física das estruturas — o “beijo das aduelas”. A ponte tem 1.294 metros de extensão e 20,10 metros de largura, com investimento de aproximadamente US$ 103 milhões (financiado pela Itaipu Binacional). Segundo a Receita Federal, a estimativa inicial de fluxo é de cerca de 250 caminhões por dia. Ainda restam os serviços de acabamento (concretagem da laje, pavimentação, guarda-corpos e iluminação).


No auge da construção, foram cerca de 460 trabalhadores, sendo 80% vindos de outras localidades. Em 2024, os trabalhos chegaram a ser interrompidos temporariamente por causa de uma investigação da Receita Federal.
Pra Cavol, o encontro das estruturas é só o começo. ‘Estamos ansiosos para que essa grande obra fique pronta rapidamente. Isso vai trazer mais desenvolvimento, mais renda per capita para a população. É bom para o Paraguai, para nós, para o Chile, enfim, para todos’, afirmou. Sobre o ‘beijo das aduelas’, ele fez uma brincadeira: que ‘desse beijo nasça um casamento’. E projetou o efeito no Estado: ‘Quando essa rodovia estiver 100%, com alfândega e ponte funcionando, o Mato Grosso do Sul vai mudar. Vai ser outro Estado.’
O impacto econômico já aparece no horizonte, segundo Adriane Lopes: ‘O Chile já está aqui, nós já estamos exportando a nossa carne.’


Para Nelson Cintra, Porto Murtinho vira ‘o centro das atenções’ com o projeto. E Ricardo Trussiuc não deixou dúvidas sobre o papel da estrutura: ‘Sem a ponte não se consegue nada. Precisamos das interconexões e da viabilidade. Sem ela há um corte, não existem aduanas nem gestão. A ponte é indispensável.’
O calendário de integração continua: novas expedições deverão sair de Campo Grande no ano que vem.
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