O esquecimento fatal de uma criança de 18 meses dentro de um carro em Almada não é inédito. No passado já se registaram outras situações similares: desta vez, com uma funcionária da creche Mestre Cuco; anteriormente, com os próprios pais, como um pai, também em Almada, em 2023, ou uma mãe, em 2021, em Lisboa. A repetição de tragédias como a desta quinta-feira levanta uma questão: que mecanismos e estratégias existem atualmente para prevenir e tentar evitar situações como a de Beatriz*?
A resposta surge através de múltiplas vertentes. Desde comportamentos que podem ser adotados pelo condutor ao deixar o veículo às soluções tecnológicas mais recentes de segurança rodoviária nos automóveis, passando pela monitorização de novas aplicações móveis ou por protocolos e rotinas no contacto com as creches e jardins de infância, sem esquecer eventuais reforços legislativos ao nível das obrigações de segurança e da sua fiscalização.
A rotina diária, uma viagem de 10 minutos e o esquecimento. Beatriz morreu na carrinha que a devia ter levado à escola
Sendo certo que não é possível controlar tudo, em todo o lado, a todo o tempo, especialistas realçam ao Observador a necessidade de um trabalho conjunto e em articulação destas diferentes abordagens, num cenário onde a tecnologia assume um protagonismo cada vez mais preponderante junto das famílias, das equipas educativas e das direções destas instituições.
“As pessoas não conseguem controlar tudo. A tecnologia é uma boa ajuda, porque estas falhas — quando acontecem — são dramáticas”, sublinha a presidente da Associação de Creches e Pequenos Estabelecimentos de Ensino Particular (ACPEEP), Susana Batista. Por sua vez, Luís Alberto Ribeiro, presidente da Associação Portuguesa de Educadores de Infância, destaca a importância dos “aspetos organizacionais”, colocando ênfase na adoção e no cumprimento de “mecanismos de supervisão e controlo interno”.
Tal como em tantos outros aspetos da vida quotidiana, as aplicações móveis constituem um suporte à gestão e acompanhamento. A educação e, sobretudo, o acompanhamento da realidade educativa dos filhos não escapam a essa tendência e existem hoje em dia diversas apps que servem para efetuar e controlar o registo de entrada e saída das crianças na creche ou instituição educativa em que estão inseridas.
Aplicações como a ChildDiary, a EducaBiz ou a Daily Connect, disponíveis em diferentes sistemas operativos móveis (iOS ou Android), permitem monitorizar a assiduidade das crianças no estabelecimento de ensino, com um registo de check-in e check-out. Mas vão além dessa circunstância e tornam ainda possível o reporte em tempo real aos pais e aos educadores de alguma eventual ausência não programada, a transmissão bidirecional de recados entre pais e educadores sobre alguma situação e a partilha de mensagens e fotografias para que se possa acompanhar o dia a dia da criança.
Estas aplicações servem como alternativa/retaguarda ao contacto telefónico entre pais e creches (ou outros estabelecimentos de educação infantil) ou ao primeiro mecanismo de articulação: o contacto pessoal na entrega e recolha dos filhos a estas instituições. Quando ocorrem chamadas não atendidas, que se perdem e não são retornadas, estas aplicações ‘disparam’ notificações para o telemóvel de pais e equipas educativas.
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