Há 22 milhões de anos, qualquer coisa que estivesse viva sobre as montanhas andinas veria uma gigantesca erupção vulcânica que rapidamente tomou conta do espaço. Na época, a região dos Andes ainda era jovem, pequena e em formação. Justamente essa erupção revelou a formação da maior cordilheira da América Latina. Tal qual a que se originou no Monte Vesúvio em 79 d.C. e congelou Pompeia, a erupção da Caldeira Laúca, no atual norte do Chile, cobriu a paisagem em uma formação de ignimbrite. Assim como ocorreu na antiga cidade romana, nos Andes, pesquisadores descobriram informações curiosas sobre o passado.
De acordo com um novo estudo publicado no Science Advances, ao analisar a paisagem sobre o ignimbrito, formação rochosa, pode-se entender melhor como a cordilheira andina se formou. Byron Adams, geomorfologista da University College London, disse em um declaração:
Pompéia mostra como erupções vulcânicas podem congelar um momento da história humana, […] Este estudo mostra que erupções muito maiores também podem congelar momentos na história da Terra, enterrando paisagens inteiras sob depósitos vulcânicos e preservando pistas de como as montanhas estavam sendo construídas antes da erupção. Não podemos cavar para ver a paisagem enterrada, mas podemos usar a forma da manta vulcânica e o que sabemos sobre como os rios moldam as montanhas para inferir o que está escondido debaixo dela.”
“Pompeia” andina, a formação sul-americana
Dentre tudo que se pode analisar do formato da eclosão, o que mais se destacou foi a erosão da paisagem com o passar dos anos. Pois, desse modo, segundo a Live Science, os cientistas poderiam calcular a rapidez com que as rochas da área estavam subindo à medida que a placa oceânica de Nazca empurrava sob a crosta continental da América do Sul.
Assim, descobriram que antes da erupção a crosta não crescia mais de 0,26 quilômetro por milhão de anos, um processo bem lento. Depois da erupção, ao que tudo indica, o processo permaneceu o mesmo. Ou seja, essa pesquisa deu uma resposta final ao velho debate se os Andes teriam se formado em uma aceleração da placa de Nazca nos últimos 10 milhões de anos ou se foi lentamente ao longo de 40 ou 50 milhões de anos.
Nesse sentido, tal qual outros estudos que utilizaram a formação de certos minerais dentro das rochas para determinar quando uma determinada rocha subia pela crosta e se aproximava da superfície, foi constatado que o crescimento foi constante e progressivo. Adams detalhou:
Há um debate sobre se os Andes cresceram lenta e constantemente ao longo de 40 ou 50 milhões de anos ou se subiram extremamente lentamente e depois surgiram mais recentemente, nos últimos seis a 10 milhões de anos […] Nossas descobertas, que cobrem grande parte do meio daquela história, sustentam a hipótese lenta, mas constante.”
*Sob supervisão de Giovanna Gomes
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