Pobreza multidimensional de Angola: O ″futuro incerto″ das crianças angolanas nas ruas de Windhoek

Semanário Novo Jornal

Esta é talvez uma das mais dolorosas expressões da pobreza multidimensional que assola Angola. Não se trata apenas da ausência de rendimento. Trata-se da privação simultânea de alimentação, educação, saúde, habitação, protecção social e oportunidades. Quando uma família abandona o seu país para sobreviver da mendicidade no estrangeiro, estamos perante o fracasso de políticas públicas que deveriam garantir o mínimo indispensável à dignidade humana.

Luís Castro, em Windhoek

25 de Julho 2026 às 11:01

Ao cair da noite, muitas destas crianças percorrem longas distâncias até Catutura, onde dormem ao relento em espaços públicos, expostas ao frio, à fome, à violência e à exploração. Nenhuma criança escolhe esse destino. É um destino que lhe é imposto pela pobreza e pelo abandono.

Mais inquietante ainda é constatar que este fenómeno deixou de ser invisível para as autoridades namibianas. Nos últimos meses, o município de Windhoek e membros do Governo da Namíbia reconheceram publicamente o aumento significativo de crianças angolanas nas ruas, defendendo uma intervenção coordenada entre os dois Estados para proteger estes menores. O próprio Governo namibiano tem realizado operações de acolhimento temporário e repatriamento, ao mesmo tempo que apela a uma solução estrutural em cooperação com Angola. (The Namibian⁠)

Perante esta realidade, a pergunta impõe-se: onde está o Estado angolano?​

A Embaixada de Angola na Namíbia divulgou, em 2024, uma nota de imprensa afirmando que acompanha o fenómeno em coordenação com as autoridades namibianas e que procura soluções para assegurar a reinserção familiar e social destas crianças. (Portal – namibia.mirex.gov.ao⁠) Contudo, a persistência e até o agravamento do problema sugerem que as medidas adoptadas têm sido insuficientes.

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