Anamola quer assumir “responsabilidades geracionais” em Moçambique

“Nós viemos para Moçambique para fazer política, sim, mas também viemos para assumir responsabilidades geracionais”, declarou, à chegada à cidade de Quelimane, província da Zambézia, centro do país, onde vão decorrer as celebrações do primeiro aniversário da Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), no sábado.

O candidato presidencial nas eleições gerais de 2024 e líder do partido Anamola afirmou que a formação política pretende responder às aspirações da nova geração de moçambicanos e ultrapassar a “lógica tradicional” da disputa partidária.

“A nossa responsabilidade não é apenas conseguir lugares na Assembleia da República, sermos o Governo de Moçambique, assumirmos a maioria das assembleias municipais e provinciais”, afirmou, considerando que essas metas constituem uma consequência de uma missão mais ampla.

Mondlane sustentou que a principal tarefa do Anamola é interpretar as aspirações da sociedade e transformá-las em propostas concretas para o futuro do país.

“O que esta nação mais anseia? O que esta nação mais sonha? A nossa missão é exatamente identificar o anseio, o sonho e a perspetiva da construção da sociedade do futuro”, disse.

Apesar disso, o líder do partido assumiu objetivos ambiciosos para os próximos ciclos eleitorais, começando pelas eleições autárquicas de 2028: “Temos todas as condições de ter a maioria em todas as 65 autarquias de Moçambique”.

Segundo Mondlane, em vários municípios o partido poderá concorrer por meio de alianças com outras forças da oposição e personalidades locais, defendendo uma “frente comum” para representar os interesses dos cidadãos.

O dirigente acrescentou que o partido também se considera preparado para disputar o poder nas eleições gerais de 2029.

“Temos todas as condições, em termos de ideias, em termos de qualificação, em termos de perspetiva de futuro, para sermos o Governo de Moçambique e mudarmos a história deste país”, declarou Venâncio Mondlane.

No balanço do primeiro ano de atividade do Anamola, Mondlane reivindicou ainda um papel inovador na apresentação de iniciativas legislativas, políticas públicas e soluções tecnológicas para a organização partidária.

“Em um ano, fizemos o triplo do que o parlamento consegue fazer em cinco anos”, afirmou.

O líder partidário destacou ainda a implantação da formação política em praticamente todo o território nacional e junto da diáspora moçambicana, defendendo que o partido criou uma base para sustentar as suas ambições eleitorais.

“A nossa crença profunda é que Moçambique, em 10 anos, pode estar na rota de estar entre as 50 maiores nações do mundo”, assinalou.

Mondlane afirmou que o crescimento do partido tem sido acompanhado por episódios de violência contra os seus membros, denunciando o que classificou como uma campanha de perseguição política.

“Nunca houve nenhum partido neste país que foi tão perseguido como Anamola também está sendo perseguido”, declarou o político moçambicano.

O dirigente voltou a afirmar que 56 quadros do partido foram assassinados desde a criação da formação política.

“Não estou a dizer membros simples, estou a falar de quadros”, disse, assinalando ainda que o partido contabiliza ainda 450 casos de violência extrema contra os seus membros, incluindo agressões, detenções que considera arbitrárias e destruição de património.

Fundador do Anamola, Mondlane foi eleito em junho presidente da formação política, por unanimidade, durante a primeira Convenção Nacional do partido, depois de ter assumido interinamente a liderança desde a sua criação, em agosto de 2025.

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