Papa critica colonização dos recursos minerais de África – Observador

O Papa Leão XIV chegou à Guiné Equatorial, última etapa da viagem por África, e denunciou a colonização dos recursos minerais africanos e a “sede de poder” num país liderado por Teodoro Obiang Nguema desde 1979.

Após visitar a Argélia, os Camarões e Angola, o primeiro ato do papa na Guiné Equatorial foi uma reunião com o chefe de Estado. Obiang, no poder desde 1979, foi precisamente o mesmo Presidente que, em 1982, deu as boas-vindas a João Paulo II, que tinha sido, até então, o último chefe da Igreja Católica a visitar esta nação africana.

Papa Leão XIV chega à Guiné-Equatorial onde terminará o seu périplo por África

Salientando que o encontro ocorreu no primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, Leão XIV citou o falecido pontífice ao denunciar as desigualdades de rendimento que, segundo ele, foram exacerbadas por uma economia global focada na busca do lucro a qualquer custo. “Tal economia mata”, disse o Papa.

“Na verdade, é ainda mais evidente hoje do que em anos anteriores que a proliferação de conflitos armados é frequentemente impulsionada pela colonização de depósitos de petróleo e minerais, ocorrendo sem qualquer consideração pelo direito internacional ou pela autodeterminação dos povos”, acrescentou.

Os Estados Unidos têm-se empenhado em obter acesso às regiões de África ricas em minerais críticos e em vencer a concorrência da China numa região onde Pequim domina há muito tempo. Os EUA estão também a investir fundos no Corredor do Lobito, um importante projeto ferroviário que facilitaria a exportação de minerais de regiões da Zâmbia e do Congo através do Lobito, em Angola.

Os encontros do Papa tiveram lugar no antigo palácio presidencial. O Governo construiu uma nova capital no continente, chamada Cidade da Paz, mas a transferência dos edifícios governamentais ainda não está concluída. Os críticos disseram que a mudança iria agravar as desigualdades e dar mais oportunidades para o círculo presidencial se enriquecer.

Leão XIV não mencionou a corrupção associada à família Obiang nem as críticas à nova capital. Mas sugeriu que a Guiné Equatorial deveria olhar para a obra de Santo Agostinho, “A Cidade de Deus” como um modelo. “A cidade terrena centra-se no orgulho e no amor próprio, na sede de poder e glória mundana que conduz à destruição”, disse o Papa.

“É essencial discernir a diferença entre o que dura e o que passa, mantendo-se livre da procura de riquezas injustas e da ilusão de domínio”, acrescentou. A ex-colónia espanhola na costa ocidental de África é governada pelo Presidente há mais tempo no cargo no mundo e que tem sido acusado de corrupção generalizada e autoritarismo.

A descoberta de petróleo em águas profundas em meados da década de 1990 transformou a economia da Guiné Equatorial. O petróleo representa agora quase metade do produto interno bruto (PIB) do país e mais de 90% das exportações, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento. No entanto, mais de metade dos quase dois milhões de habitantes do país, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vive na pobreza.


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