Na Copa de 2026, o que liga o Ceará a Marrocos, Haiti e Escócia? – Portal IN – Pompeu Vasconcelos

Entre ciência, cultura, energia e futebol, adversários do Brasil mantêm vínculos pouco conhecidos com o estado. Foto: Aldaila Bongiovi/Portal IN

A Seleção Brasileira volta a campo nesta quarta-feira (24) para enfrentar a Escócia, às 19h (horário de Brasília), pela última rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. Líder da chave com quatro pontos, o Brasil chega à rodada decisiva após empatar com Marrocos por 1 a 1 na estreia e superar o Haiti por 3 a 0 na segunda partida.

Em Fortaleza, a partida também movimenta a programação de espaços de convivência da cidade. No Iate Clube, a torcida terá um encontro especial para acompanhar o jogo da Seleção em telão, com acesso a partir das 16h. A programação inclui música ao vivo antes da partida e durante o intervalo, restaurante em funcionamento e toda a estrutura de um dos cenários mais tradicionais da orla da capital cearense. 

Mas, além da disputa por uma vaga na próxima fase, os adversários brasileiros nesta etapa da competição ajudam a contar histórias que ultrapassam os gramados. Marrocos, Haiti e Escócia estão separados por oceanos, culturas e trajetórias distintas, mas guardam conexões curiosas com o Ceará que passam pela ciência, pela migração, pela inovação e até pelas origens do futebol brasileiro.

Marrocos: semelhanças geográficas

Primeiro adversário do Brasil no Mundial, Marrocos ocupa posição estratégica entre a África e a Europa e é conhecido pela diversidade de paisagens, que vão das cidades históricas ao deserto do Saara.

As conexões com o Ceará, porém, passam também pela ciência. As características do semiárido marroquino e nordestino aproximaram pesquisadores dos dois territórios em projetos voltados à gestão dos recursos hídricos, monitoramento climático e adaptação às condições ambientais de regiões secas. Ao longo dos últimos anos, instituições cearenses desenvolveram iniciativas de cooperação com universidades e centros de pesquisa marroquinos, compartilhando experiências sobre convivência com a escassez de água.

Haiti: laços construídos por pessoas

Segundo rival da Seleção na fase de grupos, o Haiti carrega uma das histórias mais marcantes das Américas. Em 1804, tornou-se a primeira república negra independente do mundo, resultado de uma revolta liderada por pessoas escravizadas contra o domínio colonial francês.

A relação entre Brasil e Haiti ganhou força especialmente após o terremoto de 2010 e a Minustah. Desde então, milhares de haitianos escolheram o País para reconstruir suas vidas e parte deles encontrou no Ceará oportunidades de trabalho, estudo e integração social. Hoje, a comunidade haitiana está presente em diferentes municípios cearenses e contribui para a diversidade cultural e econômica do estado.

Escócia: inovação, energia e futebol

Adversária do Brasil nesta quarta-feira, a Escócia é reconhecida internacionalmente pelos avanços em energias renováveis e sustentabilidade. O país tornou-se referência em temas como transição energética, descarbonização da economia e inovação, áreas que também ganharam protagonismo na estratégia de desenvolvimento do Ceará nos últimos anos.

Mas a conexão escocesa com o Brasil vai além da economia verde. O país também possui uma ligação direta com as origens do futebol brasileiro. Charles Miller, considerado o pai do futebol no Brasil por introduzir oficialmente o esporte no País em 1894, era filho de um escocês, John Miller, nascido na região de Ayrshire.

Um século depois da chegada do futebol ao Brasil, a Seleção volta a encontrar a Escócia em um palco global. Desta vez, valendo uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. 

Além das quatro linhas

Em tempos de globalização, a Copa do Mundo continua sendo uma das raras ocasiões em que países distantes dividem a atenção do público ao mesmo tempo. Para o Ceará, o Grupo C mostra que essas distâncias nem sempre são tão grandes quanto parecem. Seja nos desafios do semiárido, nos movimentos migratórios ou nas transformações ligadas à inovação e à energia, Marrocos, Haiti e Escócia ajudam a lembrar que o mundo se encontra de formas inesperadas — e que o futebol, muitas vezes, é apenas o ponto de partida.


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