A boa atuação no empate contra o Brasil na estreia da Copa comprovou que o Marrocos veio para incomodar os gigantes do futebol na competição.
Vivendo o melhor momento de sua história, a seleção liderada pelo lateral Hakimi conquistou grandes resultados nos últimos anos, com o título da Copa Africana de Nações, além do quarto lugar na última edição do Mundial.
Mas a evolução no futebol marroquino não aconteceu da noite para o dia. Com grandes investimentos recentes, o time africano passou de azarão a postulante em disputas por títulos.
Em 2010, após ficar fora de três edições seguidas de Copas, o Marrocos iniciou o processo de desenvolvimento do futebol no país. O Rei Mohamed VI inaugurou uma academia com centro de pesquisa para revelar novos talentos no país.
Com seis campos principais e estrutura de 9mil m², o espaço com área esportiva e educacional mudou a história marroquina na modalidade.
Investimento na educação
A academia aceita crianças a partir dos 12 anos que seguem estudando. O local oferece um laboratório de informática e 10 salas de aula. Além disso, os adolescentes aprendem idiomas.
No segredo do sucesso marroquino, esporte e educação andam lado a lado.
Os jovens talentos ainda tem a sua disposição: refeitórios, dormitórios, centro médico com clínicas, fisioterapeuta e balneoterapia (banhos em águas termais ou minerais).
Captação de talentos “internacionais”
A academia construída pelo Rei Mohamed VI ainda faz o trabalho de captação de jovens marroquinos que nasceram em outros países, os convencendo a defender o Marrocos.
Deste processo, saíram peças importantes do Marrocos na Copa, como Hakimi, Brahím Díaz, e mais recentemente Ayyoub Bouaddi, que atuava pela França até a categoria sub-21.
Na estreia contra o Brasil, o jovem de 18 anos dominou o meio-campo e foi um dos melhores atletas da partida.

Dos 26 atletas convocados para o Mundial deste ano, 19 não nasceram em solo marroquino, migrando da França, Espanha, Bélgica, Holanda e Canadá.
Marrocos colhe os frutos
Após anos de investimentos, os resultados começaram a aparecer. Em 2022, na Copa do Mundo no Catar, o Marrocos surpreendeu ao terminar a competição em 4º lugar, fazendo a melhor campanha de sua história no torneio.
A seleção principal ainda conquistou a Copa das Nações Africanas em 2026, após final polêmica contra Senegal.
As categorias de base do país também refletem o sucesso na formação de jovens. Na última edição da Copa do Mundo Sub-17, os marroquinos chegou nas quartas de final.
Na disputa do Mundial Sub-20, realizada em 2025, os marroquinos conquistaram o título inédito ao vencer a Argentina na decisão.

Na Olimpíada de Paris, em 2024, o time sub-23 foi bronze na competição, corroborando o sucesso da academia montada pelo Rei Mohamed VI.
Em todas as conquistas recentes, atletas formados no local participaram das vitoriosas campanhas.
Destaques do Marrocos na Copa
Uma das estrelas de Marrocos começa no gol. Yassine Bounou atuava no Sevilla quando fechou a meta da equipe no Catar. Atualmente, Bono defende o Al-Hilal, da Arábia Saudita, e esteve no Mundial de Clubes de 2025, nos Estados Unidos.
Achraf Hakimi pode ser considerado o nome mais conhecido da atual geração marroquina. O lateral é um dos destaques do Paris Saint-Germain, tendo conquistado as últimas duas Champions League.
Outro nome que atua em um clube grande do futebol mundial é Brahim Díaz. O espanhol de ascendência marroquina defende o Real Madrid, e já vestiu as cores do Manchester City.
O atacante de 26 anos foi o artilheiro da Copa Africana de Nações este ano, mas desperdiçou um pênalti decisivo na decisão contra Senegal e foi bastante criticado pela cavadinha na batida.
Além dos citados acima, outros nomes marroquinos também se destacam, como o do jovem Ayyoub Bouaddi, do Lille e o jovem Ismael Saibari, contratado recentemente pelo Bayern de Munique.
Com o melhor elenco da história, o Marrocos quer surpreender gigantes na Copa do Mundo de 2026.
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