Morreu Quino, o cão herói que procurou sobreviventes no terramoto da Venezuela – Últimas



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O cão passou os últimos dois meses a lutar contra graves problemas de saúde, cuja origem os veterinários nunca conseguiram determinar.

Morreu Quino, o Labrador que se tornou um dos rostos da missão de busca e salvamento na Venezuela após os terramotos de 24 de junho. O cão, pertencente à unidade canina da organização espanhola Intervención, Ayuda y Emergencias (IAE), passou cerca de uma semana entre os escombros à procura de pessoas que pudessem ter sobrevivido à catástrofe. Tinha seis anos e morreu depois de cerca de dois meses a lutar contra graves problemas de saúde.

Quino era treinado para uma tarefa muito específica: detetar o odor de pessoas vivas presas debaixo dos escombros e alertar a equipa quando encontrava alguém. Ao longo da sua carreira, já tinha participado noutras operações de emergência internacionais, incluindo missões na Turquia e no Brasil. Na Venezuela, integrou a equipa enviada pela IAE para ajudar nas operações de busca após os sismos.

O regresso a Espanha, no entanto, marcou o início de uma batalha completamente diferente. Cerca de três dias depois de terminar a missão, Quino começou a apresentar fortes hemorragias nasais. Foi levado ao veterinário e recebeu várias transfusões de sangue, mas os episódios repetiam-se. Ao longo das semanas seguintes, foi observado por diferentes especialistas, realizou análises, ecografias e TAC e chegaram a ser enviadas amostras para a Universidade de Barcelona. Apesar dos esforços, não foi possível determinar de forma conclusiva a origem da doença.

A situação acabou por se agravar. Quino desenvolveu problemas renais e um quadro de falência multiorgânica, enquanto as hemorragias começaram também a afetar os pulmões. A possibilidade de a doença estar relacionada com alguma exposição durante a missão na Venezuela chegou a ser considerada, mas nunca foi possível estabelecer uma relação causal. Nos últimos dias, o estado do Labrador tornou-se irreversível.

Ao seu lado esteve sempre Pancho Gerber, bombeiro e guia de Quino, que o treinava desde muito novo e com quem formava uma dupla inseparável. Pancho procurou respostas junto de especialistas de vários países e acompanhou de perto todos os tratamentos. A história do cão gerou ainda uma onda de solidariedade, com pessoas a oferecerem ajuda para suportar os elevados custos veterinários.

Quino acabou por morrer em Espanha depois de dois meses de luta. A despedida deixa um vazio na equipa que o acompanhou durante anos, mas também a memória de um cão que dedicou a sua vida a encontrar quem precisava de ser salvo. Desta vez, apesar de todos os esforços, não foi possível salvar o herói que tantas vezes tinha ajudado a salvar os outros.

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