Santa Catarina é estado do país com a maior expectativa de vida do país. Segundo o IBGE, os catarinenses vivem, em média, 81 anos, e a população com 60 anos ou mais já supera 1,2 milhão de pessoas.
Um cenário que reforça a necessidade de repensar moradias, bairros e cidades para uma realidade em que viver mais é uma conquista cada vez mais comum.
Elisabeth Lunardelli, médica clínica geral especialista em longevidade, explica que envelhecer bem vai muito além de não ter doenças. Significa preservar a autonomia, a capacidade de decisão, os vínculos sociais, a mobilidade e o propósito de vida.
Por isso, o ambiente em que a pessoa vive torna-se um dos principais determinantes da qualidade do processo de envelhecimento.
“A longevidade começa hoje, então, quando a gente tem um ambiente que é pensado para a segurança dessas pessoas com atividades que são direcionadas pra esse público e com um propósito muito claro que é promover a autonomia, qualidade de vida e longevidade esse ambiente faz todo sentido”, explica a médica.
Nesse contexto, modelos de moradia planejados para a longevidade ganham relevância ao aproximar a convivência, a segurança, os serviços e o cuidado. No que no dia a dia, na prática, isso faz muita diferença e reflete diretamente no aumento da expectativa de vida.
Em Palhoça, no bairro Pedra Branca, um empreendimento pioneiro trouxe para Santa Catarina o conceito de sênior living, um modelo de moradia voltado para pessoas idosas.
Há décadas, na Europa e países como os Estados Unidos e Canadá adotaram essa proposta que visa antecipar as necessidades da terceira idade e oferecer condições para que a autonomia seja preservada por mais tempo possível.
Renata Stringhini, especialista em gerontologia e Cofundadora da DOM Senior Living, explica que ao pensar nessa nova proposta de moradia o questionamento era: como a gente vai viver com esses anos todos que a gente ganhou? Diante disso, surgiu essa proposta do prédio que é mais do que um local para morar na terceira idade.
“Hoje a gente sabe que 15% das pessoas que tem 60 anos ou mais moram sozinhas em suas casas e isso causa depressão e isolamento. Já a vida em comunidade faz o contrário, ela promove, ela ativa. Os países nórdicos, por exemplo, comprovaram que faz grande diferença você viver em comunidade e isso faz com que você tenha cinco anos a mais de qualidade de vida com autonomia. Então, esse foi o resultado da comunidade que a gente criou e está vendo acontecer aqui”, explica.
Apartamentos para a venda ou locação oferecem todo o conforto do lar. Foto: Divulgação/Hurbana/NDO empreendimento é pensado na necessidade do idoso. Não somente os apartamentos, mas a programação é voltada à longevidade. A equipe multidisciplinar e a infraestrutura são projetadas para reduzir riscos associados ao envelhecimento, como quedas e isolamento social.
Para Paula Guimarães, Diretora de Expansão e Cofundadora da DOM Senior Living, o empreendimento vai além de um espaço para viver na terceira idade. Para ela é uma oportunidade de estar cercado de cuidados preventivos, de uma forma independente e única.
“O sênior living une o melhor dos mundos. A pessoa tem seu apartamento, sua privacidade, mas muito bem acompanhada. Todos os dias tem alguma atividade, tem uma comunidade ativa e um time multidisciplinar com um olhar para o dia a dia e também pra prevenção do futuro. E dar segurança, pois nós temos um ambulatório 24 horas. Então, só da pessoa saber que ela vai ser atendida apertando um botão de emergência ela já se sente muito mais segura”, analisa Paula.
Aos 83 anos dona Gilca Duarte é muito ativa. Mas, o diagnóstico de Parkinson do marido trouxe mudanças para rotina do casal. Por quatro anos mantiveram um cuidador em casa, todos os dias. Depois de tanto tempo ela não queria mais, por isso a opção do sênior living trouxe privacidade e liberdade sem abrir mão dos cuidados.
“Eu estava cansada de ter todo tempo um cuidador dentro da sua casa. E aqui não precisa porque todos cuidam de todos. A equipe toda fica observando o que meu marido está fazendo, mas em estar atrás, é diferente”, conta dona Gilca.
Na prática viver em um prédio onde o casal encontra os cuidados e atividades diárias pensadas na fase em que estão vivendo tem feito muita diferença, principalmente na saúde.
“Meu marido mudou muito. Ele está mais ativo, ele está saindo sozinho o que ele não fazia lá em Florianópolis de jeito nenhum, então, eu estou bem feliz aqui. Isso aqui é um paraíso para idoso”, comemora dona Gilca.
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