De acordo com dados da execução do primeiro semestre de 2026 do Governo, a que a Lusa teve hoje acesso, foram assistidas 810.026 pessoas afetadas por eventos climáticos extremos, das quais 780.319 por inundações, 20.667 pela seca e 9.040 pela passagem de ciclones.
Segundo o documento, as intervenções incluíram distribuição de alimentos, provisão de abrigo temporário, acesso à água potável, cuidados de saúde e apoio à recuperação dos meios de subsistência das populações afetadas.
No relatório refere-se ainda que o seguro soberano contra a seca disponibilizou, neste período, 1,8 milhões de dólares (1,5 milhões de euros), permitindo prestar assistência alimentar a 20.664 famílias em 19 distritos das províncias de Gaza, Inhambane, Manica, Sofala e Zambézia.
Essa cobertura correspondeu a uma média de cerca de 1.088 famílias por distrito, acrescenta-se no documento.
Paralelamente à resposta aos desastres naturais, o Governo, em coordenação com parceiros de cooperação, continuou a assegurar assistência humanitária a 762.510 deslocados internos, maioritariamente afetados pelos ataques de grupos insurgentes no norte do país.
Deste universo, aproximadamente 720.160 deslocados encontravam-se em Cabo Delgado e 42.350 na província de Nampula. Segundo os mesmos dados, foram reforçadas ações de apoio que incluíram assistência alimentar, abrigo, acesso a serviços sociais básicos e iniciativas de reintegração socioeconómica.
Os dados surgem pouco mais de um mês depois de o Governo ter revisto em baixa a previsão de crescimento económico para 2026, de 2,8% para 0,59%, atribuindo a decisão aos impactos das cheias registadas no início do ano.
Na altura, em 07 de julho, o executivo aprovou um Plano Global de Recuperação e Reconstrução pós-cheias avaliado em 102 mil milhões de meticais (1.400 milhões de euros), destinado a promover uma recuperação “resiliente, inclusiva e sustentável” das áreas afetadas.
Segundo dados apresentados pelo Governo, as cheias de janeiro afetaram cerca de 724 mil pessoas nas províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica e Zambézia, provocando impactos significativos sobre a pobreza, a segurança alimentar e os meios de subsistência.
As estimativas oficiais apontaram para danos físicos de cerca de 69,5 mil milhões de meticais (955 milhões de euros) e perdas económicas avaliadas em aproximadamente 41,37 mil milhões de meticais (569 milhões de euros), concentrando-se os danos no setor social, sobretudo na habitação, e as perdas no setor produtivo, com destaque para a agricultura.
O plano governamental assenta em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição dos serviços essenciais, reconstrução de infraestruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.
Dados anteriormente divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicam que a última época chuvosa (outubro a abril) matou 314 pessoas, afetou mais de um milhão de habitantes e atingiu quase 260 mil habitações em todo o país.
Nesse período registaram-se ainda 19 desaparecidos e 361 feridos, tendo sido inundadas 211.655 casas, destruídas totalmente 15.616 e parcialmente destruídas outras 31.081.
Só as cheias de janeiro provocaram 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando 715.716 pessoas, enquanto a passagem do ciclone Gezani, na província de Inhambane, em fevereiro, causou quatro mortos e afetou 9.040 pessoas.
A época chuvosa provocou igualmente danos em 9.735 quilómetros de estradas, 52 pontes e 237 aquedutos.
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