Candidatura de María Corina Machado e o objetivo de eleições “limpas e livres” na Venezuela
A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, declarou este sábado que pretende avançar como candidata presidencial, enquadrando essa decisão em eleições “limpas e livres”, no âmbito do plano de três fases em curso para, segundo disse, recuperar a liberdade na Venezuela.
«Eu serei candidata, mas poderá haver outros. Adoraria competir com toda a gente, com todos aqueles que queiram ser candidatos. […] Teremos eleições limpas e livres”, respondeu Corina Machado no Panamá, quando questionada se tencionava apresentar-se como candidata presidencial nas eleições.
A coligação da oposição, que sustenta ter vencido as eleições de 28 de julho de 2024, com “o presidente eleito Edmundo González”, entende “que para favorecer, acompanhar e facilitar este plano” de três fases impulsionado pelos Estados Unidos é necessário que ele termine “num processo eleitoral presidencial”.
Condições eleitorais e a nomeação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE)
Machado insistiu que o objetivo passa por um ato eleitoral sem falhas e recordou a dimensão do universo de eleitores impedidos de participar na última votação. “Queremos realizar uma eleição impecável. Quase 40 % dos venezuelanos não tiveram a possibilidade de votar no dia 28 [de julho de 2024], imagine só. Pelo menos uns quatro ou cinco milhões de venezuelanos que estão no estrangeiro e estão inscritos no cadastro”, afirmou.
A galardoada com o prémio Nobel da Paz 2025 explicou que, para preparar futuras eleições, “o mais urgente seria a nomeação de um Conselho Nacional Eleitoral que cumpra os critérios estabelecidos na Constituição venezuelana”, composto por membros com “credibilidade” e sem filiação política.
“Esse é o primeiro passo. A partir daí, é evidente que são necessárias condições de liberdade cívica e de mobilização”, entre outras, acrescentou.
Questionada sobre o tempo necessário para se chegar a esse cenário de eleições livres, evitou fixar um calendário. Ainda assim, observou que, se a votação ocorresse “com o sistema atual”, que classificou de “corrupto, fraudulento, injusto”, seria possível organizá-la “em 60 dias”.
“Agora, o que propusemos é que queremos eleições em que todos possam votar, eleições que corrijam a perversão do sistema atual”, avançou.
Plano de três fases dos EUA, Marco Rubio e o regresso à Venezuela
Corina Machado reconheceu e agradeceu o apoio dos Estados Unidos à causa venezuelana e salientou que o plano de três fases do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio – estabilização, recuperação e transição com eleições – está a avançar.
“Há um processo de desmantelamento de um sistema repressivo na Venezuela e a prova está aqui [a presença de ex-presos políticos ao seu lado na conferência]. Foram dados alguns passos no desmantelamento do sistema socialista na economia e esses são passos importantes contra a corrupção”, considerou.
Neste quadro, referiu que o Governo dos EUA liderado por Donald Trump considera que uma Venezuela livre será um aliado “confiável e de longo prazo”, ao contrário da administração da presidente interina, Delcy Rodríguez, que, no seu entender, presta um apoio “circunstancial e falso”, fruto de “seguir instruções” de Washington.
Quanto ao seu regresso ao país, disse estar segura de que acontecerá antes do final de 2026 e que será “obviamente coordenado com os EUA”, que descreveu como os seus “principais aliados”.
“É claro que o meu regresso tem um objetivo: acompanhar e reforçar o plano que o secretário de Estado [Marco Rubio] apresentou nas suas três fases e preparar-nos para a quarta fase. Essa é a nossa, a da reconstrução do nosso país. Sim, e será em breve. Tudo a seu tempo”, declarou.
Ataque a Caracas e captura de Nicolás Maduro
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado num ataque de tropas militares norte-americanas a Caracas e transportado para os EUA.
O ataque de 3 de janeiro incluiu sobrevoos de aviões e helicópteros norte-americanos, com bombardeamentos de vários pontos da capital e das cidades vizinhas. A operação semeou o pânico em Caracas e arredores e causou cerca de uma centena de mortos, incluindo civis.
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