Imigrantes e estrangeiros apoiam Senegal enquanto sua torcida está em casa

Imigrantes e torcedores estrangeiros substituíram os fãs senegaleses que permaneceram em casa nesta terça-feira (16), enquanto o time africano foi derrotado por 3 a 1 para a França em sua estreia na Copa do Mundo, com muitos de seus apoiadores impossibilitados de viajar para os Estados Unidos.

O técnico Pape Thiaw disse para a imprensa que esperava que os torcedores senegaleses residentes nos EUA fizessem sua voz ser ouvida em Nova Jersey, após reportagens informarem que vários apoiadores tiveram seus vistos negados para acompanhar o torneio no país.

“Estou em um dos lugares mais altos e distantes do estádio, mas espero que eles consigam me ouvir lá embaixo, no gramado”, disse Jessica Ambres, moradora do Brooklyn, vestindo uma camisa do Senegal e carregando a bandeira do país. Ela afirmou sentir uma conexão com a diáspora africana por ser uma norte-americana negra.

“Como um dos países-sede desta competição, é bastante desanimador ver a forma como temos tratado cidadãos do mundo”, completou.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, procurou minimizar as preocupações no ano passado depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou uma agressiva campanha de fiscalização da imigração durante seu segundo mandato, enquanto o país se preparava para coorganizar a maior Copa do Mundo da história ao lado de México e Canadá.

“O mundo é bem-vindo na América”, disse Infantino durante o Congresso da Fifa de maio de 2025. “Certamente os jogadores, certamente todos os envolvidos, todos nós, mas também, sem dúvida, todos os torcedores”.

Mas as questões migratórias se tornaram uma narrativa inevitável no maior evento esportivo do mundo. Os Estados Unidos negaram a entrada de um árbitro somali, e o chefe da delegação do Irã criticou a Fifa por sua “falta de coordenação” em relação aos problemas de visto.

Os Estados Unidos suspenderam total ou parcialmente a emissão de vistos de viagem para 39 países, incluindo alguns que disputam a Copa do Mundo: Irã, Haiti, Costa do Marfim e Senegal.

Existem diásporas significativas de haitianos e iranianos nos Estados Unidos, mas as comunidades de origem senegalesa e marfinense são relativamente pequenas.

“A forma como consegui meu ingresso foi a seguinte: um amigo meu (no Senegal) conseguiu um ingresso por meio do sorteio da Fifa, mas não pôde vir porque não obteve o visto. É assim que a situação está ruim”, disse Mahmoud Toure, que se mudou do Senegal para os Estados Unidos há 25 anos. “Vocês vão nos ouvir em todos os lugares.”

A partida teve um significado adicional para o Senegal, que perdeu de forma controversa o título da Copa Africana de Nações no início deste ano, quando o troféu foi concedido ao Marrocos.

“Os jogadores merecem ter sua torcida presente para apoiá-los”, disse Ranmalee Dias, que cresceu no Japão, mora em Manhattan e começou a torcer pelo Senegal há oito anos. “Felizmente, porém, temos um pequeno Senegal em Nova York”.

O próximo jogo do Senegal será contra a Noruega na segunda-feira (22), às 21h (de Brasília), novamente no MetLife Stadium.

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