Lula quer plano de ciência e tecnologia para fortalecer soberania do Brasil

“Eu não sou maluco de arrumar briga com os Estados Unidos, porque nós não temos os aviões que eles têm. Eu também não sou louco de brigar com a China, porque não temos a tecnologia que eles têm. Eu quero é investir em ciência, tecnologia e educação no Brasil para competir com eles!”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na noite desta terça-feira, 28, em visita à 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Distrito da Inovação da Cantareira, em São Domingos, Niterói. Lula pediu à presidente da SBPC, Francilene Procópio da Silva, a elaboração de um plano de ciência e tecnologia para o Brasil, com metas para os próximos anos. “Eu quero aprovar e assinar isso!”, disse.

O presidente observou que nunca foi comum um chefe da nação comparecer a uma reunião da SBPC. “Geralmente é para ser xingado ou cobrado! Quero lembrar que também precisamos de um plano de Defesa. Temos uma costa enorme e precisamos resguardar o nosso país. Todos os aviões que a Aeronáutica têm foram comprados nos nossos governos. Quando eu entrei, em 2003, o soldado não tinha salário-mínimo! Daí criamos o Soldado-Cidadão e investimos nas Forças Armadas”, rememorou.

Lula lembrou o “quadro de terra arrasada” que encontrou em 2023 quando voltou ao comando da nação. “Em 2012, o Brasil tinha saído do Mapa da Fome. Quando eu retornei, tinha voltado. Estávamos com mais de 30 milhões de brasileiros passando fome e tivemos de reverter isso, tirando novamente o Brasil dessa situação. Quando eu voltei, o país não tinha mais Ministério da Cultura, nem incentivos para o setor. O Ibama, por exemplo, estava destruído! Tivemos de reconstruir tudo!”, recordou.

A ministra da Ciência e da Inovação, Luciana Santos: “É de um simbolismo imenso o presidente da República estar na SBPC”/Anderson Carvalho/A TRIBUNA 

O presidente ainda disse que as conquistas sociais correm o risco de ser perdidas. “Não é normal um torneiro mecânico, sem curso superior, ter sido eleito presidente e ter se transformado naquele que mais construiu universidades. Tivemos tantos presidentes com faculdade e se todos eles tivessem feito um pouco, hoje estaríamos muito mais desenvolvidos. Tudo o que conquistamos pode ser perdido, pois há políticos que acham melhor apenas 35% da população ter acesso ao conhecimento!”, afirmou.

De acordo com Lula, o país ainda paga o preço do atraso no investimento em educação. “No Brasil, até pouco tempo, o pobre estudava em escola pública e ia pra faculdade privada, porque o ensino público era péssimo. O rico estudava em escola privada de boa qualidade e depois conseguia vaga em universidade pública, no lugar dos estudantes pobres. Tudo ao contrário!”, lamentou.

A ministra da Ciência e Inovação, Luciana Santos, entregou a Lula um documento com propostas da pasta para o setor. “É de um simbolismo imenso a presença do presidente da República na SBPC. Lula respeita muito a inteligência brasileira. Diferente do que já vimos antes, quando a universidade pública era tratada como espaço de balbúrdia”, disse Luciana.

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, mencionou que o governo Lula recuperou a indústria naval e reconstruiu as instituições científicas. “Presidente, quando o senhor voltou, houve a retomada da indústria naval e a reconstrução das instituições de pesquisa científica do estado”, lembrou.

O reitor da UFF, Antônio Cláudio da Nóbrega, citou o processo de inclusão na universidade nos governos petistas. “Antigamente, estar na universidade era um privilégio da classe média. Hoje, a maioria é das classes populares. Dois terços dos alunos são de famílias com renda de até três salários-mínimos. Conseguimos trazer mulheres, negros e povos originários para o chão da sala de aula”, disse.

Estiveram presentes ao evento governador interino do Rio, Ricardo Couto; e o ministro da Saúde, Antônio Padilha, além de políticos.

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