31 de ago de 2026 às 10:55
CASTEL GANDOLFO, Itália — O papa Leão XIV pediu ontem (30) a libertação imediata de reféns feitos num massacre que vitimou pessoas no Haiti, apelou às autoridades para que protejam a população da violência e rezou pelas vítimas de graves inundações no Nepal e no Tibete.
Falando ontem depois do Ângelus em Castel Gandolfo, Itália, o papa disse ter recebido “notícias dramáticas” do Haiti sobre um massacre em Kenscoff.
“Chegam do Haiti notícias dramáticas sobre o grave massacre perpetrado em Kenscoff, no qual perderam a vida numerosas pessoas, enquanto outras foram sequestradas”, disse o papa Leão XIV. “Manifesto a minha solidariedade orante pelas vítimas e pelos seus familiares e peço que todos os reféns sejam libertados sem demora”.
“Dirijo um apelo urgente a todos os responsáveis para que se empenhem concretamente em garantir a segurança da população e pôr fim a toda a forma de violência”, disse ele.
O papa também reafirmou suas orações por aqueles afetados pelas inundações no Nepal e no Tibete.
“Rezemos por quem perdeu a vida, pelos feridos e desaparecidos, pelas famílias e pelos socorristas”, disse ele. “Que a solicitude de todos contribua para aliviar o sofrimento e levar a ajuda necessária à população”.
O papa Leão XIV ampliou então seu apelo, exortando os cristãos a continuarem orando pela paz e citando as palavras de santo Agostinho, cuja festa a Igreja celebrou na última sexta-feira (28).
“Continuemos a rezar pela paz”, disse ele. “Santo Agostinho, cuja memória celebrámos nestes dias, dizia que «a paz […] é semelhante àquele pão que se multiplicava nas mãos dos discípulos do Senhor enquanto eles o partiam e o distribuíam» (Sermo 357, 2)”.
“Que aumentem no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça, praticando o perdão, para o bem de todos”, disse o papa.
Leão XIV disse também que o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação será celebrado amanhã (01/09), marcando o início do Tempo Ecumênico da Criação, cujo tema deste ano é Água Viva.
“Convido a todos a se unirem em oração e ação, para que possamos nos tornar canais da água viva da paz de Deus, refrescando nosso mundo ferido”, disse ele.
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Compreender e aceitar os caminhos de Deus
Antes do Ângelus, o papa Leão XIV falou sobre o relato do Evangelho em que Jesus fala aos seus discípulos sobre a sua Paixão iminente, levando Pedro a rejeitar o que ouve.
O papa disse que são Pedro havia reconhecido Jesus como “o Messias, o Filho do Deus vivo” pouco tempo antes, mas ficou chocado quando Cristo disse que iria a Jerusalém, sofreria, seria morto e ressuscitaria no terceiro dia.
A reação de são Pedro, disse Leão XIV, foi “um impulso de zelo, certamente animado por um amor sincero, e, no entanto, leva-nos a refletir”.
“Efetivamente, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos”, disse o papa. “Nessa altura, surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós. Perante esta incerteza, Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes”.
“Pedro, apesar da sua impulsividade, ensina-nos duas coisas importantes”, disse Leão XIV.
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“A primeira é nunca interromper, nem mesmo nestes momentos, o diálogo com o Senhor”, disse ele. “Pelo contrário, manifestar-Lhe com confiança até mesmo a nossa dificuldade em compreender o que Ele nos pede”.
“A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele nos está a revelar através da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas”.
“E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também nisso”, disse o papa.
“Jesus responde-lhe: «Afasta-te, Satanás!» (v. 23), e explica-lhe a ele e aos outros discípulos que, para seguirem as suas pegadas, terão de negar-se a si próprios, tomar a sua cruz e segui-lo (cf. v. 24)”, disse ele.
“Pedro fá-lo-á: depois de o ter ouvido, aceitará o desafio e permanecerá fiel às palavras de Cristo – a quem reconheceu como seu Redentor – por toda a sua vida, até ao martírio”, disse Leão XIV.
O papa concluiu sua reflexão pedindo ao Senhor que conceda aos cristãos a sinceridade de são Pedro na oração, e sua disposição em aceitar a vontade de Deus.
“Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-Lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas”, disse Leão XIV.
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