O encontro aconteceu na Cidade da Praia, depois da intervenção de Ivanilson Machado no Human Leaders International Congress Cabo Verde 2026. O executivo abriu a programação de palestras do congresso, realizado nos dias 24 e 25 de julho, com uma apresentação dedicada à liderança humanizada num mundo em transformação. Mas, para compreender a visão que levou ao palco, é necessário olhar para o modo como esta é aplicada diariamente numa empresa que funciona sem interrupções.
A Pumangol é atualmente uma empresa de energia integralmente angolana, com 83 postos de abastecimento, cerca de 500 trabalhadores diretos e 1900 indiretos. Além da rede de retalho, o grupo atua em áreas como armazenamento, aviação, betumes e abastecimento de embarcações. Uma dimensão que torna mais difícil manter uma relação próxima entre a liderança e quem trabalha diariamente nas diferentes operações.
Ivanilson Machado acredita, porém, que o tamanho da organização não pode servir de justificação para afastar os líderes das pessoas. Sempre que participa numa visita operacional, procura falar com os trabalhadores, responder às suas questões e reconhecer o papel de cada um no resultado final da empresa.“Por mais, entre aspas, menos visível que seja o teu trabalho, todos contribuem para o resultado final que a Pumangol tem”, sublinha.
A mesma disponibilidade é transportada para as redes sociais, onde mantém uma presença pública expressiva e procura responder às mensagens que recebe. Mais do que uma estratégia de comunicação, considera que essa atenção faz com que as pessoas se sintam reconhecidas e compreendam que a liderança valoriza o que têm para dizer.
No centro desta relação está um princípio que Ivanilson repete desde o operário ao diretor: o respeito. É a base a partir da qual procura construir a cultura interna da Pumangol e também o valor que orienta as ações de responsabilidade social realizadas fora da empresa. “Estar sempre presente, estar com eles, demonstrar que aquilo que peço – porque não gosto muito de usar a palavra ‘exigir’ -, e que espero é, no mínimo, aquilo que eu pratico.”
Para o executivo, a autoridade de um líder não nasce exclusivamente da posição que ocupa. Constrói-se através da correspondência entre o discurso e o comportamento.“Não há outra forma de um líder conseguir o respeito e a admiração senão ter uma certa coerência entre o que diz e o que faz.”
Nascido em Luanda, Ivanilson Machado deixou Angola aos 17 anos para estudar em Portugal. É licenciado em Relações Internacionais e Ciências Políticas e passou por instituições como o INSEAD, a HEC Paris, a London Business School e a Harvard Business School. Antes de assumir a liderança da Pumangol em Angola, dirigiu a operação da Puma Energy em Moçambique, entre 2016 e 2020, naquela que descreve como uma das experiências mais determinantes da sua carreira.
Ao olhar para os primeiros anos em posições de responsabilidade, reconhece que reagia de forma mais impulsiva perante os problemas. Numa empresa com operações todos os dias da semana, os conflitos, as falhas e os momentos de pressão fazem parte da rotina. Durante algum tempo, nem sempre conseguiu geri-los da melhor maneira. Hoje, uma mensagem ofensiva pode demorar dois dias a receber resposta. São estratégias desenvolvidas com a experiência e que procura agora transmitir aos diretores que trabalham consigo. “Já sou mais ponderado. Hoje, se calhar, um e-mail ofensivo demora dois dias para ser respondido. Não respondo no mesmo dia. Escrevo três ou quatro vezes, vou reler”, explica.
A maturidade, explica, não elimina os problemas, mas altera a forma de enfrentá-los. Em vez de reagir imediatamente, procura compreender o que aconteceu e transformar o erro numa possibilidade de aprendizagem. Às dificuldades enfrentadas nos primeiros anos chama “dores do crescimento”.
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