Angola … Que País! – oRegiões

Texto de Valdemar Ribeiro, escrito de forma construtiva e não meramente como critica destrutiva, o que tanta vezes acontece. Foi preparado por quem ama Angola e, claro, a Huíla, onde está estabelecido há dezenas de anos. Com as suas diversas iniciativas,  muito tem contribuído para a divulgação da cultura e da preservação da biodiversidade no Planalto. Penso que deveria ser um exemplo para muitos empresário/ mecenas de Angola. É um Homem de Cultura que não esquece o Bem Estar da população. E eu tenho o privilégio de o conhecer desde há muito, muito tempo! – Joaquim Correia

Angola é 14 vezes maior do que Portugal e potencialmente é muito mais rica do que muitos países pois a natureza brindou Angola com imensas riquezas naturais, sol , água mar, peixe, florestas, clima, fauna, flora, ouro, diamantes, mármores, granitos, minerais diversos, terras raras, terras agrícolas e tantas outras riquezas.

Angola hoje poderia estar a exportar produtos acabados, como mais valia mas exporta essencialmente produtos em bruto, desde há muitos anos.

Tudo o que vem de fora é supostamente melhor, incluindo a educação primária e a secundária.

O Autor local, cidadão que realmente pode ter um “pensamento crítico local sustentável” é quase sempre considerado um “Zé Ninguém” e tem pouco apoio Institucional, oficial ou privado, e fica assim impedido de caminhar com seus próprios pés e as escolas continuam sem valorizar este autor local.

Todos os PRÉMIOS NOBEL, todos, um dia foram um “Zé Ninguém”.

Por exemplo, a Província da Huila, maior em território do que Portugal e potencialmente muito mais rica em recursos naturais, poucos produtos acabados tem para exportar, de forma sustentável e com mais valias.

No entanto, na Huíla, nas Montanhas da Serra Leba, da Serra das Neves, da Serra da Chela, etc., sabe-se há muitos anos, que esta região tem uma água Minero/medicinal única na região da “SADC”, alimento liquido único na excelência, recomendada para a saúde pública, e com grande potencial de exportação como produto acabado.

Angola até hoje, não considera esta água mineral com uma mais valia não só para o mercado interno como para o mercado externo, mercado Árabe por exemplo.

Os países árabes, com grande potencial financeiro devido ao seu petróleo, não têm uma água de excelência e consomem água do mar tratada e com muito sódio.

Os empresários angolanos não são os responsáveis pelos emperramentos da economia de uma forma geral pois não são eles que detêm as competências administrativas públicas e não lhes compete construir ou reconstruir as estruturas públicas que permitem desenvolver uma economia sustentável, estradas, caminhos de ferro, portos, transportes, menos burocracias, facilidades nos investimentos financeiros bancários, etc..

Qual é então o papel das Instituições oficiais? Os responsáveis destas Instituições formaram-se em boas Universidades e sabem bem as teorias económicas e políticas.

Os empresários, mesmo sabendo fazer o seu trabalho com excelência, sempre estarão dependentes das Instituições oficiais pois são estas quem ordenam as estruturas que permitem um desenvolvimento económico sustentável.

O papel dos empresários industriais é transformarem os produtos da terra em produtos acabados, produtos de excelência, para abastecerem os mercados nacionais e os mercados internacionais exportando esses produtos.

Se a Província da Huíla tem este excelente produto acabado, ideal para a saúde pública, porquê não está a ser exportado? É muito importante que as Instituições oficiais levantem estas questões descobrindo respostas:

A – Para se transportar , por exemplo, quinhentos contentores cheios de água engarrafada para abastecer um navio Árabe, é preciso que o CAMINHO DE FERRO DE MOÇÂMEDES tenha qualidade para suportar o transporte desta mercadoria pois as estradas não suportam esta quantidade de camiões necessários, nem o peso deles e o transporte com camiões é muito caro, impedindo uma concorrência forte no mercado externo.

B – As Instituições oficiais determinaram que investir em água engarrafada não é mais prioridade e por isso os projectos financeiros oficiais não apoiam mais estes investimentos novos e, como consequência, se algum empresário angolano quiser investir em mais fábricas ou linhas de engarrafamento para aumentar e melhorar a produção de água engarrafada, terá de buscar investimentos financeiros bancários privados com juros muito elevados, na ordem dos trinta ( 30) por cento anuais, o que torna inviável estes investimentos.

O empresário é obrigado a desistir dos projectos ou ir atrás de parceiros financeiros para realizar estes projectos mas não é fácil encontrar parceiros certos.

Como o empresário pode investir focado no desenvolvimento sustentado do mercado interno e também no mercado externo Árabe, por exemplo, mesmo tendo um excelente produto e até raro?

O empresário está impedido de desenvolver sua economia sustentável pois as estruturas físicas da Província e as estruturas financeiras não funcionam devidamente de maneira a facilitarem estes investimentos.

Além de haver outras burocracias e situações que impedem o empresário de desenvolver uma economia sustentável.

Na Inglaterra, o cientista Stephen Hawking, mesmo tendo incapacidades físicas elevadas, as Instituições do país permitiram-lhe, através de tecnologias, continuar a desenvolver seu trabalho científico de grande relevo e importância para o mundo.

O empresário inglês Richard Branson iniciou seu trabalho aos quinze anos reproduzindo árvores de natal e mais tarde acabou por construir naves inter- planetárias para viajarem até à Lua.

Estas duas situações de extremos, exemplificam que quando as Instituíções oficiais exercem o trabalho que lhes compete, em todos os países do mundo, os empresários e os cidadãos em geral conseguem desenvolver seus trabalhos de forma sustentável e caminhar, beneficiando todos aqueles que estão ao redor e o país em geral.

Autor: Valdemar Ferreira Ribeiro, Economista. Empresário Industrial e Ambientalista ÁFRICA XXI

 


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