Infarto e AVC crescem entre adultos jovens no Brasil

13 de agosto de 2026 – As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortes no Brasil e têm atingido um número crescente de adultos jovens. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que mais de 200 mil pessoas morreram em decorrência desses problemas entre janeiro e junho de 2026.

O cenário também preocupa em relação ao Acidente Vascular Cerebral (AVC). Levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF), com base em dados do Registro Civil, mostra que, somente em 2025, o AVC foi responsável por 64.471 mortes no país, o equivalente a um óbito a cada seis minutos.

Outro dado que chama a atenção é o aumento das internações por infarto entre brasileiros com menos de 40 anos. Informações do Ministério da Saúde indicam crescimento de 180% entre 2000 e 2024, reforçando a necessidade de investir em prevenção desde a juventude.

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Maus hábitos elevam o risco cardiovascular

Segundo Carlos Rassi, coordenador de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, a mudança no perfil dos pacientes está diretamente relacionada ao estilo de vida.

“O aumento dos infartos em adultos jovens é multifatorial. Obesidade, sedentarismo, alimentação baseada em ultraprocessados, má qualidade do sono, estresse crônico, tabagismo, uso de cigarros eletrônicos e casos cada vez mais precoces do diabetes tipo 2 estão entre os principais fatores de risco para problemas cardiovasculares”, afirma.

O especialista destaca ainda que o uso de drogas ilícitas, anabolizantes, estimulantes e altas doses de nicotina também está presente em muitos casos atendidos nos hospitais. Além disso, pessoas com histórico familiar de infarto precoce apresentam maior predisposição para desenvolver doenças cardiovasculares.

Prevenção continua sendo o melhor tratamento

Apesar da popularização de suplementos e práticas conhecidas como biohacking, o cardiologista ressalta que as evidências científicas continuam apontando para hábitos saudáveis como a melhor estratégia para proteger o coração.

“Não existem evidências robustas de que suplementos ou protocolos de biohacking sejam superiores às estratégias clássicas de prevenção cardiovascular. As diretrizes das principais sociedades médicas mostram, de forma consistente, que os maiores ganhos em longevidade e redução do risco cardiovascular vêm da combinação de hábitos saudáveis”, explica Rassi.

O médico também chama atenção para fatores frequentemente negligenciados, como o estresse contínuo e a má qualidade do sono.

“O estresse persistente favorece a liberação contínua de cortisol e adrenalina, aumenta a pressão arterial, intensifica processos inflamatórios e compromete o sono e a alimentação, independente da faixa etária. Estudos mostram que pessoas submetidas a níveis elevados de estresse podem apresentar aumento de 20% a 30% no risco de eventos cardiovasculares.”

Segundo o especialista, roncos intensos, sono fragmentado e apneia obstrutiva do sono também aumentam significativamente o risco de infarto e AVC, mesmo em pessoas que dormem por muitas horas.

Sinais não devem ser ignorados

Doenças como hipertensão e aterosclerose costumam evoluir silenciosamente. Sintomas como falta de ar durante esforços, cansaço persistente, palpitações, tonturas, dores na mandíbula ou nas costas durante atividades físicas e até disfunção erétil podem indicar alterações cardiovasculares.

Por isso, o cardiologista recomenda que a avaliação da saúde do coração seja iniciada antes dos 40 anos, especialmente em pessoas com histórico familiar, obesidade, diabetes, hipertensão ou tabagismo.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de atividade física moderada ou 75 minutos de atividade intensa por semana como forma de reduzir os riscos cardiovasculares e melhorar a qualidade de vida.

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