INE de Cabo Verde rejeita acusações de falsificação de dados e defende independência técnica

O Instituto Nacional de Estatística (INE) de Cabo Verde rejeitou hoje as acusações de falsificações de estatísticas, defendendo a independência técnica e o cumprimento de metodologias internacionais, após o primeiro-ministro ter acusado a instituição de produzir “dados falsificados”.

“O INE rejeita, de forma clara, firme e categórica, as insinuações de manipulação, falsificação ou alteração indevida de dados estatísticos oficiais”, afirmou o conselho diretivo do instituto, em comunicado.

O INE acrescentou que toda a produção estatística segue metodologias com as recomendações das Nações Unidas, do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial e de outras organizações internacionais especializadas, assegurando a comparabilidade dos indicadores produzidos por Cabo Verde com os dos restantes países.

Relativamente às contas nacionais e ao cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), referiu que os trabalhos são desenvolvidos com assistência técnica do FMI e sustenta que os ajustamentos efetuados na estimativa do Valor Acrescentado Bruto (VAB) constituem procedimentos metodológicos previstos pelas normas internacionais e não qualquer forma de manipulação de dados.

O esclarecimento surge quatro dias após o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, ter anunciado uma avaliação independente ao INE para apurar alegadas interferências na produção estatística e recuperar a credibilidade das informações oficiais.

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“O país foi surpreendido por denúncias graves sobre o funcionamento do Instituto Nacional de Estatística, relativas a alegadas interferências e manipulação de dados. E é precisamente isso que leva este Governo a nunca fazer julgamentos precipitados, analisar as coisas com seriedade e profundidade para poder agir da melhor forma”, afirmou Francisco Carvalho durante o debate sobre o Estado da Nação.

O primeiro-ministro acusou ainda o INE de produzir “dados falsificados”.

“Todos vimos que o próprio INE tem estado a produzir dados falsificados, são notícias assumidas pelos próprios trabalhadores”, afirmou.

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O instituto manifestou disponibilidade para receber qualquer missão de avaliação externa ou revisão por pares promovida pelas entidades competentes, considerando que esses processos constituem “uma oportunidade para reforçar a qualidade institucional, promover a melhoria contínua dos seus processos e consolidar a confiança nas estatísticas oficiais.

O INE considerou que o debate público em torno das estatísticas oficiais deve assentar em “evidência científica, rigor metodológico, conhecimento técnico e respeito pelas instituições”, contribuindo para o fortalecimento da confiança pública.

No comunicado, o conselho diretivo reafirmou ainda que o instituto continuará a exercer a sua missão com “absoluta independência técnica”, conforme a legislação nacional e os princípios fundamentais das estatísticas das Nações Unidas, reiterando o compromisso com “a independência técnica, a transparência, o rigor científico e o serviço ao Estado de Cabo Verde e aos seus cidadãos”.

RS/

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