Independência do Brasil vira ato partidário: extrema-direita pede afastamento de Alexandre de Moraes e esquerda aposta em temas sociais
O Brasil comemorou esta segunda-feira o 204.º aniversário da sua independência. O dia, como tem acontecido nos últimos anos, foi utilizado por diferentes políticos para realizar manifestações e atos de suas respetivas campanhas à presidência da República. Flávio Bolsonaro, então, reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, enquanto Lula da Silva começou o dia com um desfile institucional na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
A celebração oficial ocorreu durante a manhã e, apesar de não ser um ato de campanha, contou com alguns dos principais assuntos abordados pelo atual chefe de Estado. Deste modo, a defesa da soberania nacional, o enfrentamento da violência contra a mulher e outros temas sociais foram utilizados na cerimónia.
Segundo o Estadão, Lula da Silva tentou utilizar o desfile para demonstrar união entre os três poderes. Além do líder do executivo, estiveram presentes os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, assim como o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.
A principal instituição do Judiciário vive uma crise sem precedentes com o embate público entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Além de Fachin, nenhum dos juízes esteve presente na celebração desta segunda-feira.
Outros atos de esquerda também ocorreram pelo Brasil, apesar de não serem convocados por Lula da Silva. Nas manifestações, houve destaque para temas sociais como o fim da escala 6×1 e a defesa dos povos indígenas.
Flávio Bolsonaro vai a São Paulo, e direita pede afastamento de Alexandre de Moraes
Principal opositor de Lula da Silva, Flávio Bolsonaro optou por não realizar a sua manifestação no Rio de Janeiro, o seu berço político, e reservou a Avenida Paulista para um ato eleitoral com críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo atual. A região, no centro de São Paulo, é um espaço tradicional para manifestações, tendo recebido, por exemplo, os atos a favor do afastamento de Dilma Rousseff.
Na avenida, apoiantes da extrema-direita bolsonarista levaram cartazes contra Alexandre de Moraes e o STF, assim como em apoio à amnistia aos condenados por golpe de Estado. Alguns também levaram um insuflável de Donald Trump. Este ano, o protesto bolsonarista teve a presença de grandes nomes da extrema-direita brasileira, como Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo. Michelle Bolsonaro, porém, não participou. A ex-primeira-dama permaneceu em casa para cuidar de Jair Bolsonaro, segundo a deputada Bia Kicis, citada pelo Estadão.
Manifestantes sobem boneco inflável de Donald Trump durante ato do 7 de setembro na Avenida Paulista.
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— Folha de S.Paulo (@folha) September 7, 2026
Em 2025, a manifestação do 7 de setembro ocorreu pouco antes ao julgamento de Jair Bolsonaro e durante as tensões comerciais com os Estados Unidos. Na época, foi utilizada uma bandeira gigante dos Estados Unidos na Avenida Paulista para simbolizar o apoio da extrema-direita às sanções impostas pelos norte-americanos.
No discurso desta segunda-feira, o filho de Jair Bolsonaro tentou relacionar a polémica que envolve Alexandre de Moraes ao governo. “Quem vota em Lula está a votar em Alexandre de Moraes”, afirmou, segundo o Estadão. “Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes. Aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte. O Supremo não é Alexandre de Moraes. O Judiciário não é Alexandre de Moraes. A Magistratura não é Alexandre de Moraes.”
O candidato afirmou que, se eleito, indicará ao STF juízes que “sejam contra a ideologia de género nas escolas, respeitem a Constituição, não persigam adversários políticos e que ajudem a resgatar a credibilidade do Supremo”, assim como garantiu “declarar guerra” contra as organizações criminosas”: “A partir de janeiro do ano que vem eu vou declarar guerra aos narcoterroristas desse país. PCC, Comando Vermelho e milícias vão ser classificados como terroristas.”
Este ano, a manifestação reuniu cerca de 28.500 pessoas, segundo o
Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da More in Common, citado pelo Estadão. O dado tem margem de erro de 12%, ou seja, o público ficou entre 25.100 e 32.22 pessoas.
Em anos anteriores, a adesão ao protesto bolsonarista foi consideravelmente maior. Em 2025, foram 42.200 pessoas, enquanto em 2024 chegou a 45.400.
Além de Flávio Bolsonaro, outros candidatos também realizaram atos de campanha em diferentes regiões. Romeu Zema e Renan Santos criticaram o STF, sendo que Zema chamou Moraes de “bandido”. Augusto Cury, por sua vez, levou cerca de 1.400 pessoas a Copacabana e exigiu uma investigação às ações dos juízes do tribunal.
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