Conexões Afro-Lusófonas #15: Ações culturais em São Tomé e Príncipe fortalecem o Museu Nacional e a cena literária – Jornal da USP
Iniciativas de resgate histórico, valorização do crioulo e o legado de Alda do Espírito Santo pautam a conversa sobre educação e cultura no país
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Nesta edição de Conexões Afro-Lusófonas, em sua segunda temporada, a conversa é sobre educação e cultura em São Tomé e Príncipe. A convidada é a professora Mardgínia Lucy D’Abreu Pinto, que exerceu em 2023 o cargo de diretora geral da Cultura no país que é composto pelas ilhas de São Tomé e Príncipe. Apaixonada pela cultura e pelas artes, Mardgínia é mestre em Teatro pela Universidade de Évora (Portugal) e, em 2025, participou do International Visitor Leadership Program (IVLP), nos EUA, sobre a preservação do Patrimônio Cultural da África.
Dentre as principais medidas de sua gestão à frente da pasta, a professora destaca o incentivo do crioulo, aa língua nacional de São Tomé e Príncipe. “É importante que os jovens valorizem nossa língua materna”, destaca, lembrando que a língua oficial do país é o português. Entre outras iniciativas de valorização da Cultura em São Tomé e Príncipe, Mardgínia cita a revitalização do Museu Nacional “que está mais ativo e motivador, impulsionado pelo aumento de visitas do público infantil”. Além disso, houve também o crescimento de atividades literárias, com a promoção de concursos em todo o país.
Ativismo poético
No cenário cultural e político de São Tomé e Príncipe, a professora destaca a figura de Alda do Espírito Santo (1926-2010). Poetisa e jornalista, Alda teve papel central na política por meio da arte e do ativismo. Alda denunciou ao exterior, por intermédio de cartas a amigos do exterior, a violência colonial do Massacre de Batepá, ocorrido em fevereiro de 1953. Com a independência do país, em 1975, Alda exerceu o cargo de ministra da Educação e Cultura e presidiu a Assembleia Nacional. “Ela é autora da letra do hino de São Tomé e Príncipe, Independência Total”, lembra Mardgínia.
O Massacre de Batepá,deflagrado em 3 de fevereiro de 1953, foi orquestrado pelo governador colonial português, à época, Carlos Gorgulho. Como ressalta a professora, “foi quando o governo tentou forçar os forros [população nativa] a trabalhar nas roças e obras públicas, sendo uma mão de obra mais barata”. Tropas coloniais então promoveram caçadas humanas e prisões em massa. Segundo historiadores, houve mais de mil vítimas fatais. O episódio tornou-se o grande marco fundador do nacionalismo e da luta pela independência de São Tomé e Príncipe.

Conexões Afro-Lusófonas vai ao ar na primeira sexta-feira de cada mês, às 18h20, pela Rádio USP SP 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz.. Ouça também pelo link ou pelos agregadores de podcasts à disposição.
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