Investidores encontram novos motivos para comprar ativos da Colômbia e do Peru conforme os presidentes recém-eleitos dão os primeiros sinais de que suas agendas favoráveis ao mercado se traduzirão em mudanças na política econômica.
Eleitos com poucas semanas de diferença, Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru, tentaram agir rapidamente para enfrentar as preocupações dos investidores sobre a capacidade de governar e superar desafios fiscais, especialmente porque ambos venceram por margens apertadíssimas.
A escolha dos ministros por De la Espriella e o início do diálogo com credores multilaterais reforçaram as expectativas de uma política econômica mais ortodoxa, voltada para conter o crescente déficit do país. Ao mesmo tempo, a indicação de Julio Velarde, presidente de longa data do banco central peruano, para mais um mandato foi interpretada como um sinal de estabilidade em um país que teve nove presidentes na última década.
“Esses são, sem dúvida, resultados positivos do ponto de vista dos detentores de títulos”, afirmou Jared Lou, gestor de portfólio da William Blair. “O próximo desafio para os dois governos será colocar a mão na massa.”
As medidas impulsionaram as moedas dos dois países andinos, que já eram favorecidas por operações de “carry trade”. Nesse tipo de estratégia, investidores tomam empréstimos onde os juros são baixos e aplicam recursos em mercados com taxas mais elevadas. Enquanto a maioria das moedas de mercados emergentes perdeu força em meio à alta do petróleo e às tensões geopolíticas, o peso colombiano e o sol peruano figuram entre os ativos de melhor desempenho do mundo em desenvolvimento desde o fim de maio.
Os mercados de dívida em moeda local dos dois países também atraíram mais interesse. Os títulos colombianos em pesos acumulam alta de quase 9,5% desde que De la Espriella garantiu vaga no segundo turno — o melhor desempenho da América Latina, segundo um índice da Bloomberg. Os títulos do governo peruano também avançaram cerca de 2% desde o segundo turno, em 7 de junho.
Embora os dois países vizinhos enfrentem desafios políticos e econômicos distintos — com o Peru mantendo um controle muito mais rígido sobre as contas públicas —, os resultados eleitorais têm levado investidores a traçar comparações cada vez mais frequentes. Desde o início, ambas as disputas eram consideradas equilibradas, com algumas pesquisas inclusive apontando vantagem para candidatos de esquerda. Os resultados foram recebidos com alívio, mais do que com otimismo.
“Os dois estão sob pressão, venceram por uma margem extremamente apertada e enfrentarão forte oposição”, afirmou Carlos Munoz-Carcamo, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank. “A situação seria diferente se tivessem vencido com ampla vantagem e conquistado uma maioria clara no Congresso. Mas não foi o caso de nenhum dos dois.”
No Peru, Roberto Sánchez, adversário de esquerda de Fujimori no segundo turno, levou semanas para reconhecer a derrota, alegando irregularidades na eleição e convocando manifestações. Na Colômbia, De la Espriella assume uma economia altamente endividada, com situação fiscal insustentável e pouca margem para cortar gastos. O déficit fiscal atingiu níveis recordes, e a nota de crédito do país foi rebaixada duas vezes pela S&P Global Ratings durante o governo do presidente de esquerda Gustavo Petro.
Ainda assim, Munoz-Carcamo acredita que os mercados estão mais otimistas em relação à Colômbia do que ao Peru.
“Tenho dificuldade para racionalizar ou entender isso com base nos fundamentos econômicos, porque a economia peruana é mais saudável”, afirmou. “O peso colombiano foi, de longe, a moeda que mais se valorizou. De forma geral, diria que a Colômbia foi a queridinha dos mercados emergentes neste ano.”
Os investidores têm reforçado posições na chamada “Tiger Trade” — referência ao apelido de De la Espriella, “El Tigre” — apostando que o político populista inaugurará uma nova fase no país ao cumprir promessas como revitalizar a indústria de combustíveis fósseis e reduzir os impostos corporativos, entre outras medidas. Além disso, a Colômbia apresenta avaliações significativamente mais atraentes e um prêmio de risco muito superior ao do Peru, observa Christopher Mejia, analista de dívida soberana de mercados emergentes da T. Rowe Price. No Peru, acrescentou, “as avaliações já não estavam particularmente baratas antes da eleição”.
De la Espriella tem se dedicado à formação do gabinete após uma campanha controversa e marcada por forte apelo midiático. Sua escolha para o Ministério da Fazenda, Miguel Gómez, é um economista formado em Paris, ex-parlamentar e integrante de uma tradicional família conservadora. Gómez já afirmou que implementará uma política fiscal mais rígida e alertou que o déficit orçamentário do país é significativamente maior do que os 6,4% do PIB indicados pelos números oficiais.
Na semana passada, ele também esteve em Washington para se reunir com credores multilaterais, reforçando a intenção do novo governo de avançar rapidamente com sua agenda econômica.
No Peru, os nomes que integrarão o gabinete de Fujimori ainda não foram divulgados. Até agora, na avaliação dos investidores, sua principal decisão foi reconduzir Velarde para mais um mandato. O veterano presidente do banco central, de 74 anos, em breve completará 20 anos no cargo — um dos mandatos mais longos à frente de uma autoridade monetária no mundo.
“O provável ministro da Fazenda será um nome sólido e bem recebido pelos mercados”, afirmou Alvaro Vivanco, estrategista de mercados emergentes da Wells Fargo Securities. “A participação de investidores estrangeiros nos títulos soberanos em moeda local permaneceu muito estável durante a eleição, e esperamos alguma entrada de recursos.”
Em Bogotá, De la Espriella conta com o apoio de partidos tradicionais de centro-direita para governar. Já Fujimori provavelmente terá uma base legislativa mais forte do que qualquer um de seus antecessores recentes. Seu partido será a maior bancada de oposição no Congresso bicameral recém-restaurado do Peru, com cadeiras suficientes para barrar qualquer tentativa inicial de impeachment — uma característica recorrente da política peruana. Desde a eleição, a confiança empresarial de curto prazo disparou.
“Estamos entrando em um mercado onde ninguém mais está pessimista”, afirmou Alberto Arispe, presidente da corretora peruana Kallpa SAB. “Agora, a discussão é o quanto é possível ser otimista, e isso já é um bom ponto de partida.”
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