Natural de Povoação, na Ribeira Grande, em Santo Antão, Elzo Rodrigues vive em São Vicente há cerca de 12 anos. Foi para Mindelo para estudar Gestão Empresarial e Organizacional na Universidade de Cabo Verde e acabou por ficar para trabalhar. Durante algum tempo, teve uma vida profissional mais estável, ligada ao escritório, mas sentia que lhe faltava qualquer coisa. Hoje, é precisamente nessa ausência antiga que encontra uma forma de explicar o caminho que o trouxe até aqui.
A ligação à natureza começou cedo, alimentada pelos pais e pela relação quotidiana com a paisagem de Santo Antão. Mais à frente, por volta de 2016, ganhou outra dimensão, quando começou a fazer caminhadas com regularidade. O que era uma prática ocasional passou a ocupar os fins de semana e, aos poucos, tornou-se parte central da sua rotina. “Quando dei por mim, já estava no meio”, resume, ao lembrar o início de um percurso que nunca foi desenhado como plano de carreira, mas que acabou por ganhar forma própria.
A primeira montra foi o Instagram. Elzo começou a publicar, por gosto, imagens de lugares que conhecia ou ia descobrindo. A receção começou a chegar de forma espontânea. Primeiro em comentários, depois em mensagens, mais tarde nas ruas. Pessoas dentro e fora de Cabo Verde começaram a dizer-lhe que se reviam naquelas paisagens, que tinham descoberto sítios onde nunca tinham estado ou que, através daquele conteúdo, voltavam a sentir proximidade com o país. “Não tinha noção de que as pessoas fora de Cabo Verde sentiam tanta falta de algo que as aproximasse”, diz.
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