Eli Lilly supera gigantes de tecnologia e lidera ranking de inovação da Forbes – Portal IN – Pompeu Vasconcelos
Um dos projetos que ajudam a explicar a posição da farmacêutica é a retatrutida, medicamento experimental contra a obesidade que atua simultaneamente em três receptores — GIP, GLP-1 e glucagon
A inovação entre as maiores companhias dos Estados Unidos já não está restrita às gigantes do Vale do Silício. A farmacêutica Eli Lilly conquistou o primeiro lugar no novo ranking America’s Most Innovative Large Companies, da Forbes, superando nomes tradicionalmente associados à tecnologia. A Apple aparece na segunda colocação, enquanto empresas como Amazon, Boeing e Mastercard também figuram entre os dez primeiros lugares.
A lista reúne 100 companhias do S&P 500 e busca medir a capacidade de transformar investimentos em pesquisa, propriedade intelectual e novos produtos em vantagem competitiva. Diferentemente de levantamentos baseados apenas na percepção de executivos ou consumidores, o estudo combina indicadores financeiros, tecnológicos e de reputação para chegar ao resultado.
No caso da Eli Lilly, o avanço de uma nova geração de medicamentos foi determinante para a liderança. A companhia ganhou escala mundial com tratamentos como Mounjaro e Zepbound, utilizados no combate ao diabetes e à obesidade, ao mesmo tempo em que mantém uma ampla carteira de pesquisas em outras áreas da medicina.
Um dos projetos que ajudam a explicar a posição da farmacêutica é a retatrutida, medicamento experimental contra a obesidade que atua simultaneamente em três receptores — GIP, GLP-1 e glucagon. Em estudos clínicos de fase 3 mencionados pela Forbes, pacientes apresentaram perda média de 28% do peso corporal.
A estratégia vai além do mercado de emagrecimento. A Lilly também desenvolve tratamentos para áreas como Alzheimer, câncer de mama e enxaqueca. Em paralelo, vem utilizando os recursos gerados pelo sucesso de seus medicamentos GLP-1 para ampliar sua presença em novas frentes de pesquisa. Em julho, por exemplo, anunciou um acordo para adquirir a AtaiBeckley, especializada em terapias psicodélicas para saúde mental, em uma transação que pode alcançar US$ 3,8 bilhões.
O mercado acompanha essa expansão. Segundo a Forbes, as ações da farmacêutica acumularam valorização de 79% em 12 meses, levando seu valor de mercado a aproximadamente US$ 1,17 trilhão.
Tecnologia divide espaço com saúde e indústria
Embora a Apple ocupe a segunda posição, o ranking mostra que inovação corporativa não é mais sinônimo exclusivo de empresas de software e eletrônicos. Entre as dez primeiras estão companhias de setores como farmacêutico, tecnologia, indústria aeroespacial e serviços financeiros. A Boeing aparece em oitavo lugar e a Mastercard fecha o top 10.
A presença da Mastercard evidencia outra transformação. A empresa trabalha para ampliar sua atuação além dos pagamentos tradicionais, desenvolvendo soluções para uma economia cada vez mais automatizada. Entre as iniciativas estão projetos relacionados a stablecoins, pagamentos entre agentes de inteligência artificial e novas formas de compartilhamento autorizado de informações sobre consumidores.
A companhia busca, dessa forma, posicionar sua infraestrutura para um cenário no qual transações poderão ocorrer diretamente entre máquinas e agentes digitais, com menor necessidade de intervenção humana.
Patentes, pesquisa e confiança entram na conta
Para construir o ranking, a Forbes criou o Innovation Index, metodologia que analisa diferentes dimensões da capacidade inovadora das empresas. Entre os critérios estão atividade de patentes e propriedade intelectual, peso dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento sobre as vendas, retorno sobre patrimônio, confiança dos investidores e percepção sobre inovação na mídia e nas redes sociais.
O levantamento também incorporou avaliações produzidas a partir de audiências sintéticas de inteligência artificial, organizadas em grupos como consumidores, investidores, funcionários, clientes e especialistas. Esses modelos analisaram milhares de anúncios de produtos, resultados, declarações de executivos e outras iniciativas empresariais.
Todas as empresas do S&P 500 foram analisadas, mas apenas as 100 melhores pontuações entraram na lista final. A metodologia também considera diferenças entre setores, evitando comparar diretamente a intensidade de pesquisa de uma farmacêutica, por exemplo, com a de uma empresa de serviços financeiros.
O resultado reforça uma mudança importante na economia americana: escala e tradição não impedem inovação. Da descoberta de medicamentos à criação de pagamentos para agentes de IA, algumas das maiores corporações do mundo estão usando pesquisa, tecnologia e propriedade intelectual para abrir novas fontes de receita — e transformar negócios já consolidados.
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