Dupla luso-brasileira cria em Portugal plataforma que ajuda pacientes com câncer | Saúde

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O câncer (cancro) é a segunda principal causa de mortes em Portugal e corresponde a um quarto dos óbitos em terras lusas. Os dados são do Instituto Nacional de Estatística (INE). No Brasil, a doença também ocupa o segundo lugar no ranking de mortalidade, como 781 mil casos de diagnósticos por ano na análise de dados do último triênio, segundo o Observatório de Oncologia.

O médico oncologista brasileiro Marcos Pantarotto, que vive em Portugal há 21 anos e, atualmente, faz parte do quadro da Fundação Champalimaud, tem contato com centenas de pacientes. Foi a partir da rotina diária dos atendimentos, onde cada caso tem suas particularidades, que surgiu a ideia de criar a plataforma Aurora Clinical Trial, devidamente registrada na Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO). No projeto, ele tem a parceria do químico, consultor científico e pesquisador português Pedro Duarte Vaz.

De acordo com Pantarotto, a plataforma tem o objetivo de facilitar o acesso aos estudos sobre o câncer que estão sendo feitos pelo mundo, para simplificar a compreensão das pesquisas e conectar pacientes em tratamento e pesquisadores que estejam com projetos em curso. Neste momento, o banco de dados reúne pesquisas de 27 países, divididos entre América Latina e Europa, num total de 3.363 estudos.

Na prática, por meio de uma inteligência artificial (IA), os estudos são apresentados em português (do Brasil ou de Portugal), inglês e espanhol, numa linguagem mais simples e acessível. “Estudos clínicos são abertos, mas são em inglês e exigem conhecimento técnico para serem entendidos”, explica Duarte Vaz.

Ele acrescenta que o Aurora permite que tanto médicos quanto pacientes recebam informação segmentada, já que a pesquisa pode ser feita a partir, por exemplo, do tipo de câncer e fase de tratamento. “A ideia é democratizar esse conhecimento e dar mais acessibilidade também aos pacientes, que podem pesquisar e ter um papel mais ativo. É uma forma de empoderá-los”, frisa.

Acesso simplificado

Pantarotto destaca que alguns tipos de câncer têm tratamentos específicos. Para os que não têm, a recomendação é privilegiar a pesquisa sempre que possível. “Na verdade, estamos usando a inteligência artificial para fazer pesquisas na nossa base de dados, criada a partir de pesquisas em curso, desde a primeira etapa e devidamente aprovada pelos conselhos de ética de cada país”, diz.

Para além de informação e alternativas de tratamento, a plataforma também pode ajudar a encontrar candidatos que colaborem em algumas pesquisas em curso. “Ao acessar cada estudo, há uma série de perguntas a serem respondidas sobre o paciente, que ajudam a verificar se ele está apto a participar do estudo”, afirma o brasileiro.

Mas ele reforça que, apesar de o aplicativo ser acessível a todos, qualquer decisão sobre aderir ou não a um determinado estudo cabe a um médico. “Não damos diagnósticos. Damos informação”, resume Pantarotto.

O acesso ao aplicativo é gratuito e Vaz garante que os dados dos pacientes são mantidos sob sigilo. “Nós estimamos muito essa questão da privacidade dos dados e do RGPD. Esses dados não são vendidos nem são partilhados e eles estão numa base segura e certificada para isso”.

Esperança

Segundo Patarotto, muitos casos de câncer têm uma cura, e facilitar o acesso a estudos em suas diferentes fases é uma forma de buscar a recuperação de mais pacientes. “Estamos falando de uma doença que, em muitos casos, tem cura, diferentemente de uma pressão alta ou diabetes, que são apenas tratados, nunca eliminados. É o caso do câncer hematológico (no sangue), especialmente em crianças”, assinala.

A ideia, agora, com o acesso facilitado a estudos tanto por médicos quanto por pacientes, é aumentar ainda mais os casos de cura. “Há muitos estudos em fase avançada e, nem sempre, a informação chega aonde deve”, diz Pantarotto. Ou seja: pacientes em potencial que podem encontrar alternativas de tratamento.

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