O estudo reforça a importância de compreender os padrões de ocorrência e de disseminação de patógenos, definindo o mapeamento como “uma questão fundamental para a conservação da vida selvagem”. A pesquisa ressalta, ainda, que os carnívoros de vida livre são particularmente importantes “pois ocupam o topo da cadeia alimentar, atuando como bioacumuladores e biomagnificadores de patógenos”.
A esporotricose felina — uma micose subcutânea grave, frequentemente causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis, descoberta no Brasil — também é motivo de preocupação entre especialistas. A doença é altamente contagiosa e causa ferimentos profundos e de difícil cicatrização nos animais. Sem o devido tratamento, pode se espalhar pelo sistema linfático e pelos órgãos internos, levando à morte do indivíduo.
“Diferentemente de outras espécies, os gatos desenvolvem lesões com altíssima carga fúngica e também podem abrigar o agente nas unhas e na cavidade oral, o que torna a transmissão extremamente eficiente”, disse Gabriela Kharsa Bastos, médica veterinária especializada em Medicina Felina pela Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Segundo a especialista, gatos semidomiciliados ou com acesso à rua — justamente o perfil dos animais expostos ao contato com felídeos selvagens, muitas vezes em fragmentos de mata — “desempenham papel central na manutenção da cadeia epidemiológica”.
Bastos explicou que a introdução do fungo em populações nativas ocorre de diferentes formas: “Além da transmissão direta por mordidas e arranhaduras, gatos infectados podem contaminar o ambiente ao afiar as unhas em troncos de árvores, cercas e outros substratos naturais, depositando secreções e material orgânico contendo o fungo.”
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra alta de episódios de esporotricose nos últimos anos: de acordo com a pasta, em gatos, o número de casos subiu de 1.412 em 2022 para 3.290 em 2023, um aumento de 133%. A veterinária alerta, porém, para diferenças substanciais no impacto populacional de espécies silvestres.
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