Redação Tribuna do Norte
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Depois de retirar o peso do acesso das costas do elenco — que o próprio treinador Waguinho Dias classificou como uma obrigação em relação à instituição ABC — o comandante alvinegro agora mira a conquista do título. Para isso, deu a segunda-feira de folga para o elenco comemorar os êxitos obtidos no domingo, quando, além da classificação, eles viram a torcida estabelecer um novo recorde de público na Arena das Dunas (31.059). A partir desta terça-feira, o foco será exclusivamente nos dois confrontos contra o Uberlândia-MG. Jogo de ida está marcado para o sábado (22) e o da volta no dia 30, em Natal.
De todo o grupo abecedista, apenas cinco integrantes — incluindo o próprio treinador — já sentiram o gosto de ser campeões brasileiros, e Waguinho não pretende desperdiçar essa oportunidade. Ele promete cobrar ainda mais seriedade dos jogadores, que estão a quatro jogos de uma conquista nacional. O impacto da comissão técnica se reflete nos números: aos 63 anos, Waguinho Dias contabiliza 74% de aproveitamento no comando alvinegro, somando 12 vitórias, 4 empates e 2 derrotas em 18 jogos.
“Quando fui campeão com o Brusque, nós tivemos o acesso e, nos dias seguintes, os jogadores pintaram o cabelo, comemoraram muito. Nós perdemos por 2 a 0 para o Ituano, lá na cidade de Itu. Só que daí eles acordaram para a importância do Brasileiro. Jogamos em casa, fizemos dois gols, fomos para os pênaltis e passamos. A equipe acordou novamente para um título. Eu tive essa experiência e já passei isso no vestiário para eles. Vamos comemorar nos dias de folga e ao ocorrer a apresentação na terça-feira, pensarmos no que significará o título”, disse.
Como também já foi jogador, ele sabe da importância de um atleta carimbar sua passagem por um clube do tamanho do ABC com uma grande conquista. “Se eles não ficarem aqui, isso vai servir para firmarem contratos melhores no futuro. Quem ainda não teve esse gosto necessita desse título”, ressaltou.
Dias reforçou que conhece bem o potencial do grupo que tem nas mãos e acredita que todos os atletas irão comprar essa ideia. “Acho que vai haver uma entrega maior, porque agora estão livres. Já conquistamos o objetivo do clube. Agora é o nosso também, é pessoal, é importante para cada um possuir no currículo. Esses atletas têm que entender isso, sim. Então vai sobrar entrega. Nós vamos correr demais pelo título”, enfatizou.
Apesar da jornada vitoriosa ter exigido muito esforço de todos, Waguinho faz um agradecimento especial à diretoria, que cumpriu todas as obrigações prometidas no momento do acerto contratual.
“O principal fator de estarmos aqui foi o ABC ter dado as condições. Ele nos deixou com todas as condições. Uma estrutura que não é maravilhosa, mas é boa, não falta nada. A partir do momento que você tem estrutura, consegue trabalhar e o resultado vem. O que você tem que administrar são os atletas: ego, vaidade, o cara que de repente não está jogando e queria estar jogando.
Aqueles que têm uma certa idade já são mais experientes, e alguns estão começando. E tem que ter respeito porque são ídolos do clube, são ídolos dentro do futebol. Quando você consegue conciliar — e, graças a Deus, isso não é para qualquer um; não estou me valorizando, mas colocando a minha experiência —, consegue fazer com que todos pensem igual”, destacou.
Indagado sobre o sentimento após a conquista, o treinador disse que tudo que está vivendo no ABC parece uma intervenção divina.
“É lógico que eu estou muito feliz, muito contente e gostaria, nesse momento, de glorificar a Deus, glorificar e louvar por tudo que nós passamos. Porque, para Ele ter me colocado aqui em Natal, ter me trazido para o ABC da maneira que foi, da maneira que ocorreu a negociação com o Gustavo Cartaxo, tinha que acontecer algo especial e tinha um porquê de vir para cá.”
Dentro desse período, o treinador classificou como mais difícil o sacrifício de ficar longe da família: “Quero agradecer à minha família, porque nós estamos longe. Acabou de nascer uma netinha, fez um mês e pouquinho. Tenho um neto que, quando fui embora agora no final de semana, falou: ‘Não vai embora, vovô’. Não é fácil tudo isso para uma pessoa que ama e tem uma família unida. Mas o ABC foi mais forte nesse momento e nós precisávamos desse acesso. Ele não poderia escapar sem a coroação desse acesso por um monte de situações e sacrifícios que eu fiz com a minha família.”


Goleiro Matheus Alves foi o único a atuar nos 18 jogos
A campanha que recolocou o ABC na Série C também teve como uma de suas marcas a formação de uma espinha dorsal bastante utilizada pelo treinador Waguinho Dias. Entre os jogadores do elenco, apenas o goleiro Matheus Alves esteve em campo nas 18 partidas disputadas pelo Alvinegro na Série D. O camisa 1 atravessou toda a trajetória da equipe, da derrota para o Maguary, na estreia, até a vitória sobre o Nacional-AM que confirmou o acesso.
Logo atrás aparece um grupo com quatro jogadores que participou de 17 dos 18 compromissos: o zagueiro Wellington Carvalho, o volante Jonathan e os atacantes Wallyson e Brunão. A presença deste último chama atenção porque boa parte de suas participações ocorreu saindo do banco de reservas. O centroavante acabou assumindo papel importante principalmente no mata-mata e marcou três gols nas fases eliminatórias, um contra o Altos e dois diante do Luverdense, num momento bem delicado do confronto em Natal.
Outro bloco importante da equipe terminou a campanha com 16 jogos. Nele aparecem Dudu Mandai, Geilson, João Pedro e Luiz Fernando. O quarteto participou de 88,9% das partidas realizadas pelo ABC. Luiz Fernando ainda ganhou maior protagonismo justamente na reta decisiva, marcando os dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Nacional, em Manaus, resultado que abriu caminho para a conquista do acesso.
Igor Bahia e Rikelmi aparecem na sequência, ambos com 15 participações. O primeiro teve peso especial no ataque e marcou gols importantes durante a competição, enquanto Rikelmi foi ganhando espaço ao longo da campanha e passou a figurar com frequência entre os titulares na fase eliminatória.
Completando o grupo dos atletas com pelo menos 13 partidas estão Edson e Jhosefer, ambos com 13. Os números ajudam a revelar a base utilizada por Waguinho Dias para conduzir o ABC ao objetivo principal da temporada. Mesmo realizando alterações durante a competição, o treinador manteve um núcleo bastante presente, com 12 jogadores participando de pelo menos 13 dos 18 jogos disputados até a confirmação do retorno à Série C.


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