Dica sustentável da semana: Procura um sítio calmo para recomeçar? Saiba quais são os incentivos para adotar um estilo de vida saudável no interior do país
Setembro é, para muitos, sinónimo de recomeços. O regresso à rotina depois das férias grandes é também uma oportunidade para repensar escolhas e procurar um estilo de vida mais equilibrado, com menor impacto no ambiente. Para quem pondera uma mudança, viver no interior pode ser uma alternativa, com diferentes incentivos para quem decide fixar-se longe dos grandes centros urbanos.
Entre o regresso ao trabalho, o início de um novo ano letivo e a vontade de criar novas rotinas, setembro é tradicionalmente encarado como uma oportunidade para “começar de novo”.
E se este ano o recomeço passar por mudar de cidade ou até por deixar o litoral para trás?
A forma como o território está ocupado tem impacto direto no ambiente e na qualidade de vida. A elevada concentração populacional nos grandes centros urbanos contribui para uma maior pressão sobre os recursos, mais congestionamento e deslocações mais longas. Os dados da DECO PROteste revelam que cerca de 70% da população portuguesa vive nas grandes cidades e que 7 em cada 10 portugueses vivem a menos de 50 quilómetros de uma cidade do litoral. Esta concentração populacional nas áreas metropolitanas está associada a maiores deslocações e a mais tempo passado no trânsito.
Neste contexto, promover uma distribuição mais equilibrada da população pelo território pode contribuir para reduzir a pressão sobre os grandes centros urbanos e, em simultâneo, dinamizar as regiões do interior. Uma mudança que, quando acompanhada por escolhas conscientes na mobilidade, consumo e utilização de recursos, também tem um impacto positivo no ambiente.
Viver no interior pode trazer algumas vantagens, como, distâncias mais curtas no dia a dia, maior proximidade dos serviços e uma relação mais próxima com o comércio local e com a natureza. Em alguns territórios, estas características podem facilitar a utilização de meios de transporte mais sustentáveis e reduzir a dependência do automóvel para determinadas deslocações, contribuindo para a redução da pegada ambiental associada à mobilidade.
Mudar não tem de significar apenas uma alteração da residência. Pode representar uma oportunidade para repensar a forma como se vive, trabalha, consome e utiliza os recursos disponíveis. Com os recursos disponíveis destaca-se a possibilidade de conjugar teletrabalho e a proximidade do comércio e dos serviços que, por sua vez, facilita a realização de algumas tarefas sem necessidade de percorrer grandes distâncias.
Apoios que facilitam a mudança
Antes de tomar uma decisão, importa conhecer as condições oferecidas por cada município. E não existe uma resposta única: os apoios podem variar de concelho para concelho.
Para facilitar a pesquisa, a DECO PROteste disponibiliza um mapa interativo de incentivos para viver no interior, que permite pesquisar os apoios existentes em diferentes municípios e compará-los. Esta ferramenta disponibiliza a possibilidade de filtrar a informação por áreas como IMI, IRS, habitação, terrenos, construção, obras, arrendamento, emprego, transportes, educação e apoio a jovens, entre outras.
Assim, antes de escolher um novo destino, é importante analisar não só o custo da habitação e a distância ao local de trabalho, mas também as condições de mobilidade, a oferta de serviços e os incentivos disponibilizados pelo município.
Para além do ponto de vista ambiental e do aumento da qualidade de vida, a decisão de viver no interior pode ainda ser analisada numa perspetiva económica. Alguns municípios disponibilizam incentivos relacionados com a habitação, arrendamento ou impostos, enquanto outros apostam em medidas dirigidas a famílias, jovens, estudantes ou pessoas que pretendem fixar-se no território.
A nível nacional, existem também apoios destinados a incentivar a mobilidade para o interior. O Programa Regressar, por exemplo, contempla medidas de apoio financeiro e benefícios fiscais para emigrantes que regressem a Portugal, com majorações quando o local de trabalho se situa numa região do interior.
Por isso, para quem encara setembro como uma altura para fazer mudanças, este pode ser o momento de pesquisar, comparar e perceber se existe um município que responde às necessidades de cada agregado familiar.
Esta perspetiva reforça que a sustentabilidade não depende apenas das escolhas individuais, mas também da forma como o território é ocupado e dos recursos utilizados. Promover uma distribuição mais equilibrada da população pode ajudar a reduzir deslocações e algumas das pressões ambientais associadas à concentração urbana.
Fonte de informação:
Incentivos para viver no Interior – DECO PROTESTE
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