O jornalista e editor-chefe da Rádio Capital FM da Guiné-Bissau, Sulai Seide, está detido na 2ª Esquadra de Bissau acusado de publicar “informações falsas” sobre o referendo à Constituição de domingo, noticiaram meios de comunicação locais.
Segundo a informação de diversos órgãos de comunicação social consultados pela Lusa nas redes sociais, o jornalista “foi raptado” na noite de domingo e conduzido à esquadra.
As mesmas fontes referem que a detenção ocorreu poucas horas depois de o jornalista ter publicado nas plataformas digitais imagens de mesas de voto que evidenciaram uma fraca adesão e baixa participação da população no referendo.
Contactada pela Lusa, fonte do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (Sinjotecs) da Guiné-Bissau confirmou a detenção de Sulai Seidi e afirmou estar a acompanhar a situação junto da direção da Capital FM.
O porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Idriça Djaló, anunciou no domingo uma participação acima de 50% de eleitores votantes no referendo à Constituição proposto por militares e segundo a oposição e organizações da sociedade civil, que tinham apelado ao boicote da votação, o processo saldou-se por uma forte abstenção.
Os militares guineenses protagonizaram um golpe de Estado em 26 de novembro, um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.
A oposição considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de dezembro.
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