Dia do Gato: o que o comportamento do felino pode revelar sobre sua saúde

gatos ganham cada vez mais espaço em lares e no mercado pet – kamanabe/Creative Commons
 

Os gatos nunca estiveram tão presentes nas famílias brasileiras. A população de felinos domiciliados já chega a cerca de 30 milhões no País, e a espécie cresce em ritmo mais acelerado do que os cães. A adaptação a espaços menores, como apartamentos, além de mudanças no estilo de vida e na composição das famílias, ajudam a explicar esse avanço.

Mas, enquanto os gatos conquistam cada vez mais espaço dentro de casa, ainda existe um desafio importante: muitos deles não recebem acompanhamento veterinário regular. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD), menos de 40% dos responsáveis levam seus gatos para consultas periódicas.

O problema é que os felinos são especialistas em esconder que não estão bem.

“Os gatos evoluíram para esconder sinais de dor e de doenças. É um instinto de sobrevivência herdado de seus ancestrais selvagens. Por isso, mesmo quando estão sofrendo, costumam não demonstrar de forma evidente. Os sinais existem, mas são sutis: uma mudança no comportamento, no modo de se mover, na forma de usar a caixinha de areia ou de interagir com a família. Quando esses sinais finalmente chamam a atenção, muitas vezes a doença já percorreu um caminho longo em silêncio”, explica Alessandra Novak Bentes, Coordenadora de Serviços Técnicos de Animais de Companhia da Zoetis.

Mudanças de comportamento merecem atenção

Para o tutor, observar a rotina do gato pode ser uma das formas mais importantes de perceber que alguma coisa mudou. Alterações que parecem pequenas podem ser os primeiros sinais de um problema de saúde.

Ficar menos ativo, deixar de subir em lugares que antes frequentava, passar mais tempo escondido, mudar os hábitos de higiene, beber menos água ou começar a fazer xixi ou cocô fora da caixa de areia são comportamentos que merecem atenção.

Até mesmo o sobrepeso pode provocar mudanças que passam despercebidas. Além de aumentar o risco de doenças como diabetes e problemas articulares, o excesso de peso pode dificultar a movimentação e a própria capacidade de o gato se limpar.

O desafio é que muitas dessas alterações acabam sendo interpretadas como “preguiça”, envelhecimento ou simplesmente como uma característica do gato. Observar a rotina e perceber o que é diferente do comportamento habitual do animal pode ajudar a identificar problemas mais cedo.

E quanto sono é normal para um gato?

Outro comportamento que costuma gerar dúvidas entre os tutores é o sono. Gatos podem dormir até 20 horas por dia, embora isso varie de acordo com idade, rotina, ambiente e indivíduo.

Segundo Mariana Silva, médica-veterinária e consultora técnica da Boehringer Ingelheim, os felinos são animais crepusculares, ou seja, tendem a apresentar maior atividade ao amanhecer e ao anoitecer. Esse padrão está relacionado à vida de seus ancestrais, quando esses eram horários de maior atividade das presas.

Mesmo dentro de casa, o instinto predador permanece. Brincadeiras e momentos de caça exigem pequenas explosões de energia, seguidas por períodos de descanso.

O clima também pode influenciar. Em dias frios ou chuvosos, é comum que os gatos durmam mais e procurem posições encolhidas. Já em temperaturas elevadas, podem preferir ficar esticados para facilitar a perda de calor.

Boa parte desse descanso, cerca de 75%, acontece em cochilos leves de 15 a 30 minutos. Nessa fase, apesar de relaxados, eles continuam atentos aos sons e movimentos do ambiente. O restante corresponde ao sono profundo, importante para a recuperação do organismo. É também nessa etapa que podem ocorrer os sonhos — e o tutor pode observar pequenos movimentos das patas ou dos bigodes.

O que merece atenção é uma mudança repentina no padrão habitual de sono. Dormir muito mais do que o normal, apresentar apatia ou, ao contrário, ficar incomumente agitado pode indicar que algo não está bem.

Doenças como a Doença Renal Crônica, comum principalmente em gatos idosos, podem provocar letargia. A FeLV (Leucemia Felina), por sua vez, pode causar anemia e fraqueza.

Se o aumento do sono vier acompanhado de perda de apetite, diminuição do consumo de água, perda de peso ou isolamento, é importante procurar um médico-veterinário.

Alimentação também ganha espaço na relação com os gatos

A mudança na forma como os brasileiros enxergam os gatos também aparece na alimentação. Além de buscar alimentos que atendam às necessidades nutricionais dos animais, os responsáveis procuram cada vez mais variedade de sabores e texturas.

Um exemplo é o lançamento da Purina Fancy Feast Supremo, nova linha de alimentos úmidos da Purina inspirada em pratos considerados gourmet. Entre as receitas estão bacalhau com tomate e batatas, peixe branco em caldo sabor mariscos com espinafre e carne em risoto de vegetais.

“A linha foi pensada para transformar esse momento da rotina em uma oportunidade de celebrar o cuidado e a conexão entre responsáveis e seus gatos”, explica Priscila Petroni Rodrigues, Gerente de Informação Veterinária da Purina.

A proposta é oferecer diferentes experiências sensoriais. O sabor Carne tem textura cremosa, semelhante à de um risoto. O Bacalhau apresenta pedaços de peixe em cubos envolvidos por um molho leve, com pequenos pedaços de tomate e batata. Já o Peixe Branco é servido em um caldo de sabor marinho, com espinafre, resultando em uma preparação mais fluida e suculenta.

Apesar da inspiração na gastronomia, a linha não é apenas um petisco: os produtos são alimentos completos para gatos e podem fazer parte da alimentação diária, desde que oferecidos de acordo com a recomendação de consumo indicada na embalagem.

Segundo Priscila, os novos produtos apresentam aproximadamente 82% de umidade e 11% de proteína. O teor de umidade é uma característica importante dos alimentos úmidos e contribui para a ingestão diária de água — algo especialmente relevante para uma espécie que, em geral, não costuma beber grandes quantidades espontaneamente.

Os alimentos podem ser oferecidos sozinhos ou combinados com a ração seca, no chamado mix feeding. Nesse caso, porém, é importante ajustar as quantidades de cada alimento para evitar excesso de calorias. A quantidade adequada depende de fatores como idade, peso, condição corporal e nível de atividade do gato. Para animais com necessidades específicas ou condições clínicas, a alimentação deve ser individualizada com orientação veterinária.

Um detalhe importante para os tutores que procuram alimentos “monoproteicos”: apesar de alguns sabores destacarem uma determinada proteína, os produtos que levam peixe não são considerados monoproteicos. De acordo com a composição informada pela Purina, eles também contêm outras fontes de proteína animal, como carne mecanicamente separada de frango e fígado suíno.

Do sachê à areia: os gatos também mudaram o consumo

O crescimento do interesse por alimentos úmidos aparece também nos hábitos de compra. Um levantamento do iFood mostra que os felinos estão cada vez mais presentes nos pedidos feitos pelos tutores.

Entre janeiro e junho de 2026, os sachês foram os produtos para gatos mais pedidos na plataforma. O campeão foi o sachê de atum ao molho para gatos adultos, de 85 g. Frango, carne, peixe branco e cordeiro completaram os cinco primeiros lugares.

Sachês e petiscos representaram mais de 25% dos produtos felinos vendidos no período, mostrando que, além dos itens essenciais, os tutores também procuram formas de agradar seus animais.

A areia sanitária aparece em outra frente da rotina: a praticidade. Entre janeiro e junho, o iFood registrou crescimento de mais de 31% nos pedidos que continham areia sanitária em comparação com o mesmo período de 2025.

O levantamento também mostra que a rotina do tutor influencia os pedidos. Cerca de 10% das compras da categoria Pet são feitas entre 20h e 8h, fora do horário comercial, e o pico dos dias úteis acontece por volta das 18h — justamente quando muitas pessoas chegam em casa e percebem que algum produto acabou.

Porto Alegre foi a capital com maior proporção de pedidos contendo produtos para gatos no primeiro semestre de 2026: mais de 48% dos pedidos da categoria Pet na cidade tinham pelo menos um item felino. Em volume absoluto, São Paulo ficou em primeiro lugar, seguida por Rio de Janeiro e Curitiba.

O desafio de levar o gato ao veterinário

Se identificar os sinais já pode ser difícil, levar o gato para uma consulta também é um desafio para muitos tutores. O transporte, a mudança de ambiente, os sons, os cheiros e a manipulação podem provocar medo e estresse.

Esse receio, inclusive, acaba fazendo com que algumas pessoas adiem consultas preventivas.

Por serem muito sensíveis às mudanças no ambiente, alguns gatos chegam à clínica agitados, tentam se esconder ou reagem de maneira intensa. Além de ser uma experiência desagradável para o animal, esse estado de alerta pode dificultar o exame e até mascarar alguns sinais importantes.

Por isso, cresce a busca por clínicas chamadas de cat friendly, que adaptam o ambiente e o atendimento às necessidades dos felinos. A proposta é reduzir estímulos que provoquem medo e ansiedade e preparar toda a equipe, da recepção ao veterinário, para reconhecer sinais de desconforto.

“As dificuldades encontradas na ida ao consultório veterinário acabam afastando muitos responsáveis das visitas regulares, justamente quando o foco deveria ser a prevenção e o acompanhamento contínuo. Por isso, é essencial adotar práticas voltadas ao conforto do gato como padrão de atendimento. Quando adaptamos a consulta às necessidades da espécie, favorecemos diagnósticos mais precoces, fortalecemos a cultura de prevenção e transformamos a experiência do animal e do responsável”, finaliza a médica-veterinária.

Uma nova relação com os gatos

A maior presença dos felinos nos lares também está mudando o mercado pet. Para Thays Siqueira, médica-veterinária da Plamev, o crescimento acompanha transformações no estilo de vida dos brasileiros.

“Os felinos estão ganhando mais espaço nos lares porque se adaptam facilmente a ambientes menores, como apartamentos. Além disso, são animais mais independentes e a rotina de cuidados costuma ser mais prática, principalmente para quem tem uma jornada de trabalho intensa. Hoje, muitas pessoas estão optando por não ter filhos e os pets passaram a ocupar um lugar cada vez mais importante dentro das famílias. Os gatos são muito carinhosos e silenciosos, características que também contribuem para essa escolha.”

Apesar disso, ainda existe uma lacuna no atendimento especializado.

“Embora o mercado pet esteja em constante expansão, ele ainda está muito voltado para os cães. Ainda faltam clínicas especializadas em felinos, profissionais com formação específica e informações acessíveis para orientar os tutores sobre as necessidades desses animais.”

A mudança, porém, já está acontecendo. Segundo a especialista, cresce a procura por consultas de rotina, vacinação, exames periódicos, diagnóstico precoce, planos de saúde pet, clínicas cat friendly e profissionais especializados em medicina felina.

“Hoje os tutores entendem que os gatos também precisam de acompanhamento veterinário ao longo da vida. A tendência é que o mercado continue investindo em serviços específicos para os felinos, acompanhando uma geração que enxerga os pets como integrantes da família e entende que prevenção é fundamental para garantir mais qualidade de vida e longevidade.”

Dia do Gato também é dia de falar em bem-estar

Celebrado em 8 de agosto, o Dia Internacional do Gato vai muito além de uma data para homenagear os felinos. É uma oportunidade para lembrar que conhecer o comportamento normal do animal é uma das melhores ferramentas para cuidar de sua saúde.

Um gato que dorme bastante pode estar perfeitamente saudável. Mas um gato que passou a dormir muito mais do que costumava, que deixou de brincar, mudou o uso da caixa de areia ou começou a se esconder pode estar tentando comunicar que algo não vai bem.

Para quem vive com um felino, portanto, o melhor presente neste Dia do Gato pode ser simples: observar.

Conhecer os hábitos do próprio animal, oferecer um ambiente adequado, respeitar suas necessidades comportamentais, proporcionar uma alimentação adequada e manter o acompanhamento veterinário preventivo são atitudes que ajudam a identificar problemas mais cedo — e podem fazer diferença para que o gato tenha uma vida mais longa e saudável.

Dia do Gato tem programação especial em São Paulo

Para quem quiser aproveitar a data com uma programação dedicada aos felinos, o GoldeN GatoFest 2026 acontece neste sábado (8), das 11h às 22h, no Centro Cultural São Paulo, na Rua Vergueiro, 1000, na Liberdade, próximo ao Metrô Vergueiro. O evento é gratuito.

A segunda edição do festival reúne cinema, palestras, oficina, stand-up, DJs, bloco de Carnaval e outras atividades voltadas aos amantes de gatos. Entre as atrações estão o CatVideoFest, com uma seleção internacional de vídeos de gatos, e o GatoFestFilme, com vídeos brasileiros enviados pelo público.

A Cobasi participa do evento com um totem fotográfico, uma máquina de garra com brindes e a instalação “Círculo de Paz”, do artista Eduardo Baum, uma escultura de aproximadamente três metros de altura e nove metros de comprimento que representa um gato deitado em formato de concha.

“A obra convida o público à interação, já que a cauda do felino é um banco macio para descanso e diversão. Além disso, o Círculo de Paz significa acolhimento, equilíbrio e harmonia, sentimentos presentes na relação entre animais e pessoas. A instalação também representa as décadas da Cobasi dedicadas ao afeto e cuidado com os pets”, afirma Caio Bernardo, Diretor Comercial e de Marketing do Grupo Petz Cobasi.

O evento também terá a participação de entidades de proteção e auxílio aos gatos, que apresentarão seus trabalhos, falarão sobre cuidados e adoção responsável e receberão doações.

A Cobasi também promove a “Semana do Ronron”, de 7 a 16 de agosto, em suas lojas físicas, site e aplicativo, com descontos de até 50% em produtos selecionados para gatos.

“Tanto a participação no evento como a campanha reforçam o compromisso da Cobasi em proporcionar experiências que simbolizam cuidado, bem-estar e afeto. Por meio dessas iniciativas, buscamos estar presentes em diferentes momentos da relação entre tutores e gatos, oferecendo experiências que contribuam para uma rotina mais feliz”, conclui o Diretor Comercial e de Marketing do Grupo Petz Cobasi.

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