Dezenas de guineenses apelam em Lisboa à libertação de Simões Pereira

“Queremos que o Presidente intervenha junto das instituições internacionais, nomeadamente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], a União Africana e a União Europeia e depois, posteriormente, também junto das Nações Unidas […], influenciando favoravelmente a libertação de Domingos Simões Pereira”, disse à Lusa o organizador da manifestação, Mariano Quande.

O presidente eleito da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, está “injustamente detido nas celas da Segunda Esquadra em Bissau, sem uma acusação formal, com um tribunal constituído à revelia da Constituição, propositadamente só para julgar um político”, asseverou o representante.

Na manifestação os participantes erguiam bandeiras da Guiné-Bissau e cartazes acusando o ex-Presidente da Guiné Bissau Sissoco Embaló de “traidor da pátria”. Entoavam gritos de ordem como “a luta continua” e “abaixo os traidores”.

“É todo um conjunto de repressões que existem no país neste momento, que merecem atenção e uma voz firme de Portugal, um país comprometido com a democracia, com os valores da liberdade, da justiça, e que pode dar um apoio importante neste momento a Guiné-Bissau para que se estabeleçam canais de comunicação e de diálogo entre os guineenses que possam de facto resolver e [permitir] sair deste impasse em que se encontram”, afirmou Quande.

Os manifestantes acusaram também o ex-governante Sissoco Embaló de usar “mãos de ferro para reprimir todas as liberdades e garantias do povo”, e de ter dissolvido a Assembleia da República “para não ser escrutinado, para fazer passar leis e acordos internacionais não avalizados pelo povo guineense”.

“Queremos denunciar um referendo, a proposta de um referendo do regime que sai de um golpe de Estado sem qualquer legitimidade popular”, disse Mariano Quande.

Esse referendo que é proposto no país, acrescentou, serviria para “a validação de uma nova Constituição aprovada por representantes deste Conselho de Transição, que saiu do próprio golpe de Estado, por isso não tem qualquer reconhecimento do povo guineense”.

Um pouco por todo o mundo, incluindo em Londres, várias guineenses têm saído à rua para apelar à libertação de Domingos Simões Pereira, que foi levado para a prisão a 10 de julho, onde permanece encarcerado durante o desenrolar do processo no Tribunal Civil.

A Guiné-Bissau foi palco de um golpe de Estado em vésperas da publicação dos resultados provisórios das eleições legislativas e presidenciais que tinham decorrido sem incidentes, em novembro de 2025.

Na sequência dessa ação dos militares, Domingos Simões Pereiras foi detido e passou mais de 60 dias na Segunda Esquadra, de onde saiu no dia 31 de janeiro para a residência sob vigilância policial.

Em junho foi conhecido o despacho judicial em que Simões Pereira foi constituído suspeito de financiar e apoiar logisticamente a alegada tentativa de golpe de Estado. O Ministério Público requereu a alteração da medida de coação do termo de identidade e residência para a mais gravosa, a prisão preventiva, decretada a 10 de julho pelo juiz de instrução criminal.

Com a tomada do poder pelo Alto Comando Militar, o general Horta Inta-a foi nomeado Presidente guineense de transição.

O general anunciou que o período de transição terá a duração máxima de um ano, culminando com a realização de novas eleições legislativas e presidenciais no dia 6 de dezembro.

[Notícia atualizada às 17h53]

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