De olho nos próximos 75 anos, Agroleite conecta formação, tecnologia e novos investimentos em Castro – O Presente Rural
A 26ª edição do Agroleite terminou na sexta-feira (07), em Castro, nos Campos Gerais do Paraná, deixando como principal marca não apenas a exposição das tecnologias disponíveis para a cadeia do leite, mas também uma série de anúncios voltados ao futuro da região. Durante a abertura, realizada na segunda-feira (03), o Governo do Paraná anunciou investimentos que ultrapassaram R$ 215 milhões, entre obras públicas e novos empreendimentos privados.
Foto: Divulgação/Agroleite
Realizado no Parque Tecnológico Agroleite e no Parque de Exposições Dario Macedo, o evento também marcou os 75 anos da Castrolanda e reuniu autoridades, produtores, lideranças cooperativistas, empresas, pesquisadores e representantes de diferentes segmentos do agronegócio.
Entre os anúncios, um ganhou relevância estratégica para a formação de mão de obra no setor: a implantação do curso de Bacharelado em Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) em Castro, com investimento estadual de R$ 10,8 milhões.
O projeto vinha sendo construído desde o início do ano e recebeu, em fevereiro, autorização do Conselho Estadual de Educação do Paraná para oferta em caráter excepcional e experimental. A proposta prevê a participação conjunta da UEPG, Castrolanda, Prefeitura de Castro e Governo do Estado.
Veterinária dentro do ecossistema do agro
Mais do que levar um novo curso de graduação para o município, a proposta busca colocar os estudantes em contato direto com o ambiente produtivo. O curso deverá funcionar dentro do ecossistema do Parque Tecnológico Agroleite, aproximando formação acadêmica, pesquisa, cooperativismo e produção.
O modelo foi concebido como uma parceria inédita no Paraná entre uma universidade pública e uma empresa, no caso a Castrolanda. A estrutura inicial deverá funcionar no espaço conhecido
Foto: Divulgação/Agroleite
como “Pessutinho”, no Parque de Exposições Dario Macedo, que será adaptado para receber os estudantes nos dois primeiros anos. Posteriormente, a graduação deverá ser transferida para uma estrutura definitiva próxima ao futuro Laboratório do Leite da Bioplat.
A expectativa anunciada anteriormente era realizar o primeiro vestibular ainda em 2026, com início das aulas em 2027. A própria UEPG já mantém Medicina Veterinária entre os cursos previstos em seus processos seletivos de 2026, embora o projeto de Castro tenha características próprias por ser uma oferta fora da sede.
A escolha de Castro está diretamente relacionada à vocação econômica do município e à concentração de atividades ligadas à produção leiteira e à agropecuária. A intenção é formar profissionais com contato mais próximo das demandas das propriedades, cooperativas, indústrias e demais empresas que integram a cadeia.
Para o governador Carlos Massa Ratinho Junior, a formação de profissionais na própria região é parte da estratégia de fortalecimento da atividade. “É um avanço importante para formar mão de obra qualificada que vai atender os produtores, a Castrolanda e toda a região. O jovem poderá fazer o curso técnico agrícola e seguir sua formação como médico veterinário, atendendo às demandas do agronegócio”, salientou.
Foto: Divulgação/Agroleite
A proposta também amplia a função do Parque Tecnológico Agroleite. O espaço, que já reúne empresas, instituições de pesquisa, universidades e organizações ligadas ao setor, passa a incorporar a formação de profissionais como parte de sua estratégia de desenvolvimento.
Do legado à próxima geração
A expansão dessa estrutura esteve diretamente ligada ao tema escolhido para o Agroleite 2026: “Movidos por um legado”. Para o presidente da Castrolanda, Willem Bouwman, celebrar os 75 anos da cooperativa significava olhar para a trajetória construída pelos pioneiros sem perder de vista os próximos ciclos de desenvolvimento. “A melhor forma de honrar o que eles construíram não é apenas admirar o que fizeram, mas dar continuidade ao que começaram. Legado parado vira história; legado em movimento vira futuro”, afirmou.
Segundo Bouwman, o próprio Parque Tecnológico representa essa mudança de etapa. “Os pioneiros transformaram a pecuária da nossa região. Hoje combinamos tradição e tecnologia para alcançar altos índices de qualidade e produtividade. O Parque Tecnológico Agroleite é o reflexo dessa evolução: o mesmo DNA inovador de 75 anos atrás, agora impulsionado pela ciência do nosso tempo”, salientou.
O diretor executivo da Castrolanda, Seung Lee, destacou que o espaço foi pensado justamente para preparar a cooperativa e a cadeia leiteira para os próximos anos. “Quando falamos em legado, estamos falando da responsabilidade de transformar tudo o que construímos até aqui em oportunidades para o futuro”, frisou.
Para ele, a presença de empresas, universidades, centros de pesquisa, instituições de ensino e poder público cria um ambiente capaz de transformar conhecimento em soluções para o campo.
Foto: Divulgação/Agroleite
“Nosso objetivo é consolidar Castro como um polo de tecnologia, inovação e treinamento da cadeia do leite, fortalecendo a competitividade do produtor e promovendo o desenvolvimento sustentável de todo o setor”, pontuou.
Mais indústria, infraestrutura e formação
O curso de Medicina Veterinária fez parte de um pacote mais amplo de investimentos anunciado durante a abertura. Na educação, também foram entregues 11 drones agrícolas destinados a colégios agrícolas contemplados pelo programa Paraná Competitivo. Os equipamentos representaram investimento de R$ 1,5 milhão e deverão ampliar o contato dos estudantes com tecnologias utilizadas no agronegócio.
Na infraestrutura, o Estado anunciou um novo dispositivo de interseção na PR-340, próximo ao Aeroporto Municipal, ao Parque de Exposições Dario Macedo e à Estrada da Ilha. A intervenção busca melhorar a segurança viária e organizar o acesso ao Parque Tecnológico Agroleite e aos empreendimentos instalados no entorno.
Também foram anunciadas a pavimentação da Estrada da Ilha, com investimento de R$ 10 milhões, e da Estrada do Caxambu, estimada em R$ 5 milhões.
Na frente agroindustrial, a Castrolanda assinou protocolo do programa Paraná Competitivo para novos investimentos superiores a R$ 190 milhões. O pacote contempla uma nova fábrica de tortilhas, uma Unidade Central de Energia Elétrica e uma nova Unidade de Dietas Bovinas (UDB).
O movimento acompanha uma estratégia de ampliar o processamento e a agregação de valor à produção regional. “Hoje o Paraná produz aproximadamente quatro bilhões de litros de leite por ano e já é a segunda maior bacia leiteira do Brasil. Nosso objetivo é aumentar essa produção, mas principalmente agregar valor, transformando leite em queijo, leite em pó e outros produtos industrializados, gerando mais renda para o produtor e mais empregos para a região”, afirmou Ratinho Junior.
Foto: Divulgação/Agroleite
O governador também relacionou a expansão da infraestrutura à consolidação do Parque Tecnológico. “O Parque Tecnológico é um projeto pioneiro que demonstra como universidade, cooperativas e setor produtivo podem trabalhar juntos para desenvolver soluções voltadas à vocação regional”, mencionou.
Cooperativismo industrializado
Representando o cooperativismo paranaense, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, destacou a transformação do setor e o papel de eventos como o Agroleite na disseminação de tecnologia entre os produtores. “Há oito anos nos orgulhávamos de sermos um cooperativismo agropecuário forte. Hoje somos um cooperativismo agroindustrial, com 161 agroindústrias em funcionamento”, enfatizou.
Na avaliação de Ricken, a evolução da estrutura industrial das cooperativas precisa estar acompanhada de acesso à tecnologia e conhecimento. “Eventos como o Agroleite levam aos cooperados a melhor tecnologia disponível e criam oportunidades para aumentar renda e qualidade de vida”, enalteceu.
A lógica se conecta ao novo momento vivido pelo Parque Tecnológico Agroleite: além de apresentar soluções para quem já está no campo, o espaço passa a participar da formação de quem deverá
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atuar na cadeia produtiva nos próximos anos.
Um parque voltado ao futuro
A abertura do evento também contou com uma homenagem às quatro gerações da família Wolters, que participaram da montagem do selo comemorativo dos 75 anos da Castrolanda. A cerimônia incluiu ainda a inauguração da pedra fundamental alusiva às sete décadas e meia da cooperativa.
Outro momento foi a recepção dos novos parceiros do Parque Tecnológico Agroleite, que receberam simbolicamente as chaves de suas futuras sedes.
Na programação institucional, Castrolanda e o Centro de Treinamento de Pecuaristas (CTP) também assinaram um termo de cooperação para implantação da Fazenda Modelo de Demonstração, que será instalada dentro do Parque Tecnológico.
Ao longo de cinco dias, o Agroleite reuniu 404 expositores em uma programação que combinou fóruns técnicos, palestras, painéis, julgamentos de animais, dinâmica de máquinas, Trilha do Leite, Rota do Leite, torneio leiteiro, apresentações culturais e rodadas de negócios.
Com o encerramento da 26ª edição, o evento deixou de ser apenas uma vitrine das tecnologias disponíveis para a cadeia do leite e reforçou uma estratégia mais ampla para Castro: transformar o ambiente produtivo em espaço permanente de inovação, formação profissional e desenvolvimento agroindustrial.
Fonte: O Presente Rural com assessoria Agroleite
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