De fábrica no Paraguai a demissões, as saídas de indústrias gaúchas para lidar com o tarifaço dos EUA

De seis empresas sondadas pela regional gaúcha da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee-RS), quatro disseram que sentem impacto do tarifaço dos Estados Unidos, que chega a 37,5%. São elas: Altus, Globus, Novus e Falker. HT Micron e Forjasul afirmam não registrar reflexos. A entidade enviou à coluna a pesquisa, que selecionou os relatos mais impressionantes e informativos. 

A Altus diz que seu produto ficou menos competitivo para o mercado norte-americano, o que é a consequência mais geral e óbvia, já que fica mais caro se não se consegue reduzir margem de lucro. São equipamentos para automação industrial, que passarão a ser comprados de outros fornecedores. A tendência é tornar-se inviável a operação instalada nos Estados Unidos. Exportar a outros países exige investimento e certificações. Uma alternativa é redirecionar a produção para atender a projetos de infraestrutura e energia no mercado brasileiro mesmo.

No caso da Globus, a menor competitividade levará à perda de negócios no médio prazo. Será difícil reduzir margem para absorver a taxa, pois a aplicada já não é alta. Por enquanto, ainda tem a vantagem de fabricar itens exclusivos, mais difíceis de substituir. Com o passar do tempo, porém, os próprios clientes pode desenvolver alternativas ou buscar novos fornecedores. Empresa também está instalando uma nova fábrica no Paraguai, de onde exportará aos norte-americanos com tarifas menores. Ainda assim, defende que as empresas se unam para encontrar mais saídas. 

Já a Novus relatou que perda de competitividade até mesmo na operação local que tem nos Estados Unidos. Por aqui, relata frustração com receitas e compensação nas margens de lucro. O crescimento de vendas ao mercado norte-americano deverá ser interrompido, o que poderá exigir demissões. Não vê a substituição dos Estados Unidos como solução, ressaltando que é a maior economia do mundo, que permite maiores margens e volumes de venda.  

Por fim, a Falker está suspendendo investimentos nos Estados Unidos até haver uma previsibilidade (sabe-se lá quando Donald Trump permitirá isso). A empresa está desde 2023 investindo para crescer neste mercado. No ano passado, o primeiro tarifaço já interrompeu uma parceria local. Com a derrubada da tarifa pela Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro, a fabricante até voltou a fazer um pequeno estoque por lá, mas desistiu agora. A situação retarda expansão em mercados importantes.   

Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: operações da Amazon no RS, novas lojas da Renner e tecnologia de POA na Copa do Mundo

Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)

Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)

Leia aqui outras notícias da coluna

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.