Desde as memórias de infância entre as rimas do pai e o grande vulto são-tomense Alda Espírito Santo, com toda a riqueza da poesia lusófona, ou ainda Aimé Césaire ou Langston Hughes, Conceição Lima falou em Junho de 2025 das suas influências literárias. Algumas semanas após a sua morte prematura, a RFI passa excertos inéditos dessa entrevista.
Em 2025, a RFI esteve em São Tomé e Príncipe para uma série de entrevistas sobre os 50 anos da independência do país. Um dos primeiros nomes falados na redacção como imprescindível para um relato justo do país neste último meio século foi Conceição de Deus Lima. Nascida ainda sob o jugo colonial, em Santana, na ilha de São Tomé, Conceição tornou-se uma das vozes mais activas e mais conhecidas da sociedade civil são-tomense como jornalista, escritora e poetisa.
Fez os estudos até ao liceu em São tomé e Príncipe, tendo depois começado os estudos superiores em Portugal e formando-se ainda na King’s College de Londres. Em Londres trabalhou na BBC e em São Tomé fundou e dirigiu o semanário independente “O País Hoje”. Teve vários cargos na televisão e na rádio públicas em São Tomé.
Foi na poesia, aliás, que mais terá encontrado a sua voz, uma mistura de rectidão, liberdade e encanto. É a poetisa mais traduzida de São Tomé e Príncipe, com as suas rimas a chegarem a pessoas que falam línguas distantes como o alemão, o árabe ou o turco.
Após vários encontros e tentativas de persuasão, Conceição Lima concedeu uma entrevista à RFI em que falou sobre os poetas da sua terra, sobre a músicas, sobre a luta pela libertação no arquipélago e sobre a sua visão para o país. Fê-lo com conhecimento de causa, como uma das figuras mais relevantes das sua geração, mas sobretudo com justeza e imparcialidade, ora não fosse jornalista.
Alguns excertos da entrevista foram publicados nessa altura, mas ficaram inéditos os excertos em que Conceição Lima falou sobre as suas próprias influências e sobre a sua poesia. Conceição Lima morreu no dia 15 de Maio de 2026, mas a sua obra e a sua influência junto dos são-tomenses e todos os leitores lusófonos perdura.
Durante a celebração do dia da mulher são-tomense, em 19 de setembro do ano passado, Conceição de Deus Lima foi distinguida pelo Governo são-tomense como embaixadora da Cultura de São Tomé e Príncipe em reconhecimento pelo papel na valorização e promoção da identidade cultural do país no plano internacional.
O Governo são-tomense decretou três dias de luto por Conceição Lima e centenas de pessoas acorreram à última homenagem. Em Junho de 2025, na espalanada da Cacau, Conceição Lima falou-nos sobre as suas influências, a poesia, a música e a esperança no futuro.
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