Chef de Alagoinhas leva culinária a Moçambique e encontra raízes

Seis anos depois de começar a cozinhar em Alagoinhas, no Agreste baiano, como forma de sobrevivência, a chef Rafaela Azevedo levou a culinária vegetal da Bahia a Moçambique e encontrou no país africano referências que já faziam parte das pesquisas dela sobre alimentação e ancestralidade.

 

Fundadora do Flôr de Feijão, espaço gastronômico e cultural voltado à culinária vegetal e à valorização das culturas afro-indígenas, Rafaela participou do projeto Ajeum – Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Afro-diaspóricas.

 

Segundo o Alagonews, parceiro do Bahia Notícias, o grupo esteve em Moçambique entre 30 de julho e 7 de agosto, durante a primeira edição do Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ).

 

Além de Rafaela, o Ajeum reúne a chef Rose Braga, o músico Hebert Matheus e a poeta Lara Nunes. Durante a viagem, a chef apresentou pratos da culinária baiana em uma escola de culinária local, entre eles moqueca de banana-da-terra e cocada de dendê.

 

De acordo com Rafaela, as preparações foram bem recebidas pelos participantes moçambicanos. Ao mesmo tempo, ela encontrou no país africano referências relacionadas às pesquisas que desenvolve sobre culinária vegetal e ancestralidade.

 

Entre as preparações conhecidas estavam a xima, feita à base de farinha de milho branco; a matapa, preparada com folha de mandioca e amendoim; e a badjia, feita com feijão e associada por Rafaela ao acarajé pelas semelhanças e raízes alimentares.

 

Ela também observou a permanência do uso do pilão no preparo dos alimentos. “Foi uma confirmação de que eu não estava criando nada na minha mente, não estava tentando forçar algo que não existia”, afirmou.

 

Para Rafaela, a experiência permitiu entrar em contato direto com conhecimentos que antes conhecia principalmente por meio de livros e pesquisas. “Eu pude beber diretamente na fonte, de forma empírica, o que eu sempre via nos livros, nas pesquisas, nas páginas de internet. Eu estava ali, tocando, vendo, conversando, trocando”, relatou.

 

A viagem teve apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e da Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA), com gestão da OMI Plataforma. O projeto também contou com apoio do MICMZ, do Fundo CICLA e da Flotar Plataforma. 

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