“Decidi tomar medidas legais contra qualquer pessoa que, da Guiné Equatorial ou do exterior, tenha espalhado acusações falsas, calúnias ou difamações contra mim”, declarou Teodoro Nguema Obiang, popularmente conhecido como Teodorín, na rede social X, acrescentando que qualquer pessoa que o acuse de “atos de corrupção, crimes ou qualquer outra conduta ilegal terá que fundamentar as acusações perante os tribunais e apresentar as provas”
O filho do chefe de Estado da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, sublinhou que, antes de ocupar um cargo público, já obtinha o seu próprio rendimento no setor privado, portanto, qualquer pessoa que alegue que a sua riqueza provém de corrupção deve “provar isso”.
“As redes sociais não devem tornar-se um tribunal onde qualquer pessoa possa acusar, condenar e destruir reputações”, afirmou.
Apesar destas alegações, Nguema Obiang já foi investigado e acusado de corrupção em diversas ocasiões no passado.
Em 2017, a justiça francesa condenou Teodoro Nguema Obiang a três anos de prisão suspensa, uma multa de 30 milhões de euros e confiscou numerosos bens por lavagem de dinheiro.
Em 2014, Teodorín chegou a um acordo extrajudicial com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (EUA) para encerrar um processo civil por lavagem de dinheiro decorrente do desvio de fundos públicos.
O líder da Guiné Equatorial evitou uma condenação, mas concordou em pagar mais de 30 milhões dólares (cerca de 25,8 milhões de euros), vendendo bens como uma mansão na cidade de Malibu, nos EUA, um Ferrari e objetos de coleção do artista Michael Jackson.
Os Estados Unidos também lhe impuseram sanções.
A Suíça também abriu investigações em 2016 contra o líder africano e outras duas pessoas pelos mesmos crimes, em um caso que o Ministério Público daquele país europeu arquivou em 2019, após um acordo pelo qual 25 carros de luxo apreendidos foram leiloados.
Nos países mencionados, o sistema judicial determinou que parte ou a totalidade dos fundos obtidos com apreensões e leilões deve ser utilizada para ajudar a população da Guiné Equatorial.
Além disso, o Reino Unido impôs sanções em julho de 2021 contra o vice-presidente, entre outros indivíduos, pelo seu envolvimento no desvio de fundos públicos para as suas contas bancárias pessoais, contratos corruptos e suborno.
Desde a sua independência da Espanha em 1968, a Guiné Equatorial, membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014, tem sido considerada pelas organizações de direitos humanos como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo.
Teodoro Obiang, de 84 anos, governa o país com mão de ferro desde 1979, quando derrubou o seu tio Francisco Macías num golpe de Estado, e é o Presidente há mais tempo no poder no mundo.
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