Moçambique: EUA desaconselham viagens ao Niassa após ataque a acampamento

Em causa está o ataque de quinta-feira à Coutada de Marangira, na Reserva Especial do Niassa, durante o qual insurgentes destruíram um acampamento turístico da Mozambique Wild Adventures (MWA), associado ao treinador luso-moçambicano Carlos Queiroz, provocando um morto e cerca de 2.000 deslocados.

Em alertas das embaixadas norte-americanas em Moçambique e na África do Sul, a que a Lusa teve hoje acesso e que se mantêm em vigor desde o ataque de quinta-feira, Washington refere estar ciente da incursão a estância de caça, na fronteira entre as províncias de Niassa e Cabo Delgado, no norte de Moçambique, acrescentando que as Forças Armadas de Moçambique decorrem operações na área.

Os avisos recomendam por isso aos cidadãos dos EUA que evitem a zona fronteiriça entre Niassa e Cabo Delgado e que “não viajem para a Reserva Especial do Niassa por qualquer motivo”. Na sequência do ataque, referem ainda que três turistas norte-americanos foram evacuados da área.

O documento recorda ainda que a Reserva Especial do Niassa integra a categoria máxima de risco do aviso de viagem do Departamento de Estado norte-americano, designada por “Do Not Travel” (“Não Viaje”), classificação que abrange igualmente a província de Cabo Delgado – a mais afetada pelas incursões armadas com milhares de mortos e deslocados desde 2017 – e alguns distritos do norte de Nampula devido à ameaça terrorista.

O Departamento de Estado já tinha atualizado, em 21 de agosto, o seu aviso de viagem para Moçambique, recomendando “cautela acrescida” devido ao terrorismo, criminalidade, fragilidades do sistema de saúde e risco de agitação social.

Nesse documento, Washington advertia que grupos terroristas ativos no norte de Moçambique podem atacar áreas públicas e destinos turísticos com pouco ou nenhum aviso, incluindo estâncias de luxo frequentadas por caçadores internacionais em regiões remotas, referindo ainda que as forças de segurança podem ter limitações na capacidade de resposta rápida a incidentes nestas zonas.

O aviso destaca igualmente a frequência de crimes violentos e furtos em locais turísticos, as limitações das infraestruturas de saúde e a possibilidade de manifestações espontâneas que podem tornar-se violentas e bloquear estradas e postos fronteiriços.

O secretário de Estado na província de Niassa, Silva Livone, disse na sexta-feira que o ataque provocou a morte de uma pessoa e obrigou ao deslocamento de cerca de duas mil pessoas para centros de acolhimento.

“Temos mais de 2.000 pessoas, como nós dissemos, no local de acolhimento”, afirmou o governante.

Segundo o responsável, os atacantes terão partido da província vizinha de Cabo Delgado e procuravam obter mantimentos para reforçar a sua logística.

Desde 2017, a província de Cabo Delgado enfrenta uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhão de deslocados, tendo registado desde 2025 incursões esporádicas para as províncias vizinhas de Niassa e Nampula.

Dados divulgados esta semana pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que a violência armada em Cabo Delgado provocou 1.401 deslocados em agosto e que os incidentes de conflito aumentaram 10% no primeiro semestre deste ano face ao período homólogo.

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