De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% de todos os tipos de câncer podem ser evitados com a adoção de medidas que reduzam os fatores de risco modificáveis para a doenç No entanto, de acordo com uma pesquisa recente, 27% dos brasileiros, mais de 1/4 da população do país, não sabe disso.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estão previstos 518 novos casos de câncer (excluídos os tumores de pele não melanoma) por ano entre 2026 e 2028. Os mais prevalentes no país são os cânceres de próstata, mama, ccolorretal e pulmão.
Câncer, doença multicausal
O câncer é uma doença multicausal, que não pode ser atribuída a apenas um fator. Contudo, a maioria das pessoas acredita que o câncer seja uma doença inexorável. “A contribuição genética existe, mas numa proporção inferior à que as pessoas de uma forma geral acreditam que seja. De 5% a 10% dos casos mais ou menos são atribuídos à herança genética”, afirmou Luciana Grucci, chefe da Área Técnica de Alimentação, Nutrição, Atividade Física e Câncer do Inca, em entrevista ao Portal.
Embora seja verdade que não é possível evitar totalmente a doença, a adoção de algumas medidas de estilo de vida podem reduzir consideravelmente o risco de câncer.
Uma pesquisa publicada na revista The Lancet analisou os dados da carga global de doenças (GBD, um indicador que mede o impacto de diversas doenças na saúde da população) e mostrou que algumas mudanças podem reduzir o risco de uma pessoa desenvolver câncer em até 45%.
Medidas para reduzir o risco de câncer
Veja a seguir sete medidas que podem reduzir o risco da doença:
Não fumar
Parar de fumar é o fator modificável mais importante para a redução do risco de vários tipos de câncer. Isso porque o tabaco possui pelo menos 70 substâncias químicas conhecidamente cancerígenas que podem alterar o DNA das células.
Estima-se que nove entre dez casos de câncer de pulmão sejam causados diretamente pelo cigarro. Contudo, o tabaco também causa outros cânceres. Cerca de 30% das mortes provocadas pela doença são atribuíveis ao fumo. Além do câncer de pulmão, o cigarro está relacionado aos cânceres de boca, garganta, esôfago, bexiga, colo do útero, pâncreas, entre outros. Isso sem falar em outras doenças, como doenças cardiovasculares, doença obstrutiva crônica (DPOC), entre muitas outras.
Comer mais alimentos naturais e menos ultraprocessados
Os aditivos e conservantes contidos em produtos alimentícios ultraprocessados aumentam o risco de vários tipos de câncer, como de mama, de pâncreas e colorretal.
As recomendações contidas no Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, são ótimas para ajudar a reduzir o risco de cânceres associados à má alimentação.
Evitar ou limitar o consumo de álcool
Quanto menor o consumo de álcool, menor o risco de câncer, afirma o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), um dos órgãos que ajudam a definir políticas públicas de saúde nos Estados Unidos.
Não importa qual a bebida escolhida para consumo, qualquer quantidade de cerveja, vinho ou destilado aumenta a probabilidade de desenvolver determinados tipos de câncer. Esse risco é dose-dependente, o que significa que ele cresce conforme a ingestão de álcool aumenta.
Quando ingerimos bebidas alcoólicas, o fígado metaboliza o etanol e o converte em acetaldeído, que é tóxico para o organismo e carcinogênico, pois provoca danos no DNA que podem fazer com que determinadas células cresçam desordenadamente, formando tumores.
O álcool aumenta o risco de câncer de orofaringe, laringe, esôfago, colorretal, fígado e mama. Alguns estudos mostram que beber mais de três doses por dia também aumenta a probabilidade de desenvolver câncer de estômago, pâncreas e próstata.
De acordo com a OMS, não existe dose segura de álcool, portanto o ideal para a saúde é não beber. Para quem não quer parar de beber, é orientado como estratégia de redução de danos o consumo moderado de álcool.
Veja também: Álcool: qual a quantidade eleva o risco de câncer?
Manter o peso dentro do limite considerado saudável
Diversas pesquisas mostram uma associação entre obesidade e vários tipos de câncer, como de mama, colorretal, esôfago, pâncreas, endométrio, entre outros. Estudos mostram que de 4% a 8% de todos os cânceres são atribuídos à obesidade, embora o mecanismo envolvido nessa relação não esteja totalmente esclarecido.
Além disso, o excesso de gordura corporal resulta em um aumento de aproximadamente 17% no risco de mortalidade específica por câncer. Desse modo, manter o peso dentro do limite saudável é uma das formas de reduzir o risco da doença.
Fazer atividade física regularmente
Realizar exercícios com regularidade reduz o risco de vários tipos de câncer, como colorretal; de mama; esôfago; rim; pulmão; estômago; e útero (endométrio).
Por outro lado, o sedentarismo está relacionado a um aumento significativo do risco de câncer e outras doenças, segundo a OMS.
Tomar cuidado com a exposição ao sol
O câncer de pele é o tumor mais frequente no Brasil, de acordo com o Inca. A irradiação ultravioleta (UV) causa danos celulares que eventualmente podem provocar câncer.
Dessa forma, é importante evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h; passar protetor solar com fator mínimo de proteção 30 (FPS 30); e usar roupas, chapéu e óculos escuros ao expor-se ao sol.
Optar pelo sexo seguro
Vários tipos de câncer, como o de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe, entre outros, estão relacionados ao HPV. Além disso, o HIV também pode aumentar o risco da doença.
Assim, os preservativos interno e externo e a vacina contra o HPV são as melhores ferramentas para evitar esses vírus e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
Tomar as vacinas recomendadas
Algumas vacinas previnem vírus associados a alguns tipos de câncer, como o HPV e o vírus da hepatite B, que pode provocar câncer de fígado.
É muito importante tomar essas vacinas antes da exposição aos vírus, mas adultos também podem se beneficiar da vacinação.
Rastreamento do câncer
Alguns cânceres podem ser identificados ainda no início, quando as chances de cura são maiores, por meio de exames de rastreamento. O câncer de próstata e mama são exemplos. Além disso, outros podem ser evitados pelos exames preventivos, como o colorretal e o de colo do útero.
Também é possivel rastrear determinados câncer, como o de pulmão, a depender do histórico do paciente.
Embora o rastreamento de alguns cânceres seja muito importante, os exames necessários devem ser individualizados, considerando fatores como idade, histórico familiar, histórico médico, entre outros. É muito importante conversar com seu médico para pensar em uma estratégia de rastreamento individualizada.
Veja também: Estudo revela 5 cânceres que mais se beneficiam de prevenção e rastreio
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