Centro de investigação do Porto lidera projeto para salvar os últimos elefantes-da-floresta de Angola

O Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto (CIBIO) e a Fundação Kissama, de Angola, juntaram-se para proteger os últimos elefantes-da-floresta (Loxodonta cyclotis) que sobrevivem no noroeste de Angola.

Apoiado pelo Elephant Crisis Fund e com um financiamento de 1,2 milhões de dólares, o projeto, ao longo dos próximos três anos, estudará a distribuição e a ecologia desta população. Além disso, pretende-se também desenvolver medidas para reduzir os conflitos entre humanos e elefantes e apoiar estratégias de conservação de longo prazo numa região considerada prioritária para a biodiversidade africana, explica a universidade portuguesa em nota.

Estima-se que restem menos de 200 elefantes-da-floresta nas áreas florestais a leste e nordeste de Luanda. Vivendo fora de áreas protegidas, estes animais enfrentam ameaças crescentes, como a desflorestação, a caça furtiva, os atropelamentos e os conflitos com comunidades agrícolas.

A componente científica será liderada por Pedro Vaz Pinto, investigador do CIBIO, em estreita articulação com Ninda Baptista, bióloga angolana, doutorada pela Universidade do Porto e coordenadora do projeto. A iniciativa combina investigação científica, conservação no terreno e capacitação local, promovendo uma abordagem integrada para proteger uma das populações de elefantes mais ameaçadas de África.

“Nos últimos anos, o BIOPOLIS-CIBIO tem desenvolvido trabalho científico no âmbito de uma parceria com a Fundação Kissama para a conservação do elefante-da-floresta em Angola”, explica Pedro Vaz Pinto.

“O lançamento desta nova fase do projeto representa o reconhecimento desse trabalho e uma oportunidade para reforçar uma colaboração de longo prazo que esperamos venha a produzir resultados decisivos para a proteção da espécie”, acrescenta.

Os elefantes-da-floresta estão classificados, globalmente, como “Criticamente em perigo” na Lista Vermelha de Espécies Ameaças da União Internacional para a Conservação da Natureza, com uma tendência populacional decrescente, em muito devido à pressão exercida pela caça furtiva que visa o marfim destes grandes mamíferos. A desflorestação e o aumento de conflitos com comunidades humanas são também ameaças significativas a esta espécie de elefante africano.

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