Nova tecnologia pintada na pele ajuda a monitorizar o estado de saúde

PNAS

A tinta pode ser aplicada diretamente sobre a pele, onde seca formando elétrodos que acompanham as saliências microscópicas da pele. 

Ligados a um módulo sem fios reutilizável, os elétrodos pintados registaram sinais elétricos do coração, dos músculos e do cérebro durante vários testes de prova de conceito.

A tinta também pode ser misturada com corantes alimentares e aplicada sob a forma de objetos, símbolos ou outros desenhos personalizados. Segundo os investigadores, um aspeto menos clínico poderá tornar a monitorização prolongada mais aceitável, sobretudo entre crianças e pessoas que se sentem desconfortáveis ao usar adesivos médicos visíveis.

Segundo o ZME Science, os elétrodos clínicos convencionais dependem de contactos metálicos e géis adesivos. Embora funcionem bem em ambiente hospitalar, o movimento, o suor e os pelos podem comprometer o contacto com a pele, levando vários grupos de investigação a procurar alternativas.

Num novo estudo, publicado este mês na PNAS, os investigadores desenvolveram uma tinta à base de água que contém vários polímeros, incluindo o PEDOT, um material semelhante ao plástico que conduz corrente elétrica. Outro ingrediente, denominado DBSA, melhora a condutividade elétrica do material, mantendo-o simultaneamente flexível. O álcool polivinílico, um polímero macio amplamente utilizado, ajuda a manter a mistura coesa.

Os investigadores testaram o sistema em várias situações do quotidiano. Numa experiência, os participantes utilizaram os elétrodos durante 12 horas enquanto realizavam as suas atividades habituais, mantendo um registo estável da atividade elétrica do coração.

Noutro teste, um utilizador correu numa passadeira e o sinal de ECG preservou 95,1% da sua estabilidade mesmo após transpiração ligeira.

A equipa aplicou ainda elétrodos no antebraço de um participante para captar sinais musculares. Com recurso a um sistema de aprendizagem automática, esses sinais foram associados a diferentes gestos da mão, permitindo controlar uma mão robótica. Embora se trate apenas de uma demonstração inicial, a tecnologia poderá futuramente ser utilizada em próteses, reabilitação ou sistemas de controlo sem utilização das mãos.

Os investigadores também registaram a atividade cerebral através do cabelo. Como a tinta consegue contornar os fios e alcançar melhor o couro cabeludo, os sinais de EEG apresentaram uma melhor qualidade de contacto do que a obtida com elétrodos planos convencionais.

Em suma, este sensor médico flexível, respirável e personalizável poderá não só aderir melhor à pele durante longos períodos, como também tornar a monitorização fisiológica mais confortável e menos intimidante para muitos doentes.

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