Atualização Económica da Guiné-Bissau 2026: Vias para Desbloquear o Crescimento do Setor Privado Impulsionado pela Produtividade
Mais investimento, menos produção: o paradoxo do setor privado
Com base no Inquérito às Empresas do Banco Mundial 2025, a Atualização Económica da Guiné-Bissau indica que o setor privado formal do país permanece pequeno, maioritariamente doméstico e dominado por micro e pequenas empresas, com o setor industrial praticamente marginal. As empresas são jovens — mais de metade tem menos de dez anos — refletindo anos de instabilidade e acesso limitado ao financiamento.
Um dos principais resultados é a divergência entre o crescimento do emprego e a produtividade do trabalho. A proporção de empresas que investe em ativos fixos aumentou de 45,1% em 2006 para 61,2% em 2025, mas o crescimento médio anual das vendas reais caiu de 13,4% para 3,4%. Mais significativamente, a produtividade do trabalho diminuiu consideravelmente — de +6,2% em 2006 para −6,8% em 2025 — evidenciando a criação de emprego “de baixa qualidade”, em que as empresas aumentam o número de trabalhadores sem ganhos proporcionais de produção.
Este desfasamento entre criação de emprego e produtividade está no centro do desafio de desenvolvimento da Guiné-Bissau. A Agenda de Emprego do Grupo Banco Mundial enfatiza não apenas a criação de mais empregos, mas sobretudo de empregos melhores e mais inclusivos. Na Guiné-Bissau, enfrentar os constrangimentos estruturais — incluindo o capital humano — e reforçar o ambiente de negócios é essencial para aumentar a produtividade, o que contribuirá para melhorar os rendimentos, reduzir a pobreza e ampliar as oportunidades económicas.
Os constrangimentos passaram de infraestruturas, ou elementos físicos, para barreiras estruturais e institucionais. A eletricidade deixou de ser o principal problema para as empresas formais após a interligação hidroelétrica da OMVG, enquanto os impostos, o acesso ao financiamento e a incerteza institucional surgem agora como os obstáculos mais críticos.
O crédito ao setor privado continua pouco desenvolvido, limitando sobretudo pequenas empresas, empresas lideradas por mulheres e negócios orientados para o mercado interno. As empresas médias e grandes apontam cada vez mais os tribunais, as alfândegas e a imprevisibilidade regulatória como obstáculos importantes.
Um pacote de reformas coordenado — sequenciado por horizonte temporal e centrado nas empresas — pode desbloquear os ganhos de produtividade que o crescimento até agora não conseguiu gerar. A Atualização Económica da Guiné-Bissau identifica várias prioridades para colocar a Guiné-Bissau numa trajetória de crescimento mais produtivo e resiliente:
- Alargar a base fiscal e simplificar o cumprimento — incluindo a expansão da declaração digital e um regime simplificado para PME.
- Expandir o acesso ao financiamento — operacionalizar registos de garantias, reforçar sistemas de informação de crédito e criar linhas de crédito direcionadas para PME e empresas lideradas por mulheres.
- Reforçar a previsibilidade institucional — modernizar as alfândegas através de um balcão único eletrónico alinhado com os padrões da CEDEAO.
- Consolidar os ganhos em infraestruturas — assegurar a fiabilidade energética e uma melhor governação do setor elétrico.
- Reduzir o défice de conectividade digital — reformar a regulação das telecomunicações e implementar a espinha dorsal nacional de fibra ótica.
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