Crimes e violência são maiores preocupações dos brasileiros, diz pesquisa

A criminalidade e a violência continuam sendo, pelo segundo mês consecutivo, a principal preocupação dos brasileiros. É o que aponta a pesquisa What Worries the World, da Ipsos, segundo a qual 47% da população citam a insegurança como o maior problema enfrentado pelo país.

O índice, registrado neste mês de junho, permanece praticamente o mesmo em relação a maio. Na comparação com o mesmo período de 2025, no entanto, houve um aumento de sete pontos percentuais na percepção da violência como principal problema atual.

No Brasil, cerca de 40,1% da população, com 16 anos ou mais, disseram ter sofrido com algum tipo de violência ou crime nos últimos 12 meses, segundo dados da pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em maio deste ano.

O número, representado por quase metade da população, reforça a insegurança pública frente ao principal desafio enfrentado hoje no país.

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Corrupção

O levantamento da Ipsos ainda mostrou a retomada da preocupação dos brasileiros com a corrupção. A pesquisa mostra que o tema volta a se aproximar dos níveis mais elevados observados recentemente, sobretudo em um contexto marcado por grandes casos de corrupção no Brasil.

Citada por 39% dos entrevistados, a corrupção só perde para o crime e violência. O dado representa um aumento de dois pontos percentuais em relação ao mês anterior, e também em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo Diego Pagura, CEO da Ipsos no Brasil, o número sugere que a população continua sensível a questões ligadas à qualidade das instituições e à capacidade de resposta do Estado no que diz respeito à corrupção.

O empresário citou um contexto marcado pela continuidade de debates sobre governança pública, como os novos desdobramentos das investigações do caso do Banco Master envolvendo o filme Dark Horse e outros questionamentos relacionados ao uso de recursos públicos.

Veja as cinco maiores preocupações dos brasileiros

  • Crime e violência
  • Corrupção financeira e política
  • Pobreza e desigualdade social
  • Saúde/Health Care
  • Impostos

De acordo com o levantamento, 42% dos entrevistados acreditam que o Brasil está seguindo na direção certa, uma alta de três pontos percentuais em relação ao mês anterior e de cinco pontos na comparação com junho do ano passado.

Em um contexto global, os brasileiros estão mais otimistas que a média mundial. Apenas 38% das pessoas acreditam que seus países estão na direção certa, enquanto 62% acham que estão no caminho errado.

Embora esse número represente uma parcela significativa da população e aponte um otimismo em relação aos meses anteriores, 58% dos brasileiros, a maioria, discordam deste pensamento. 

Cenário global

No cenário global, os resultados também indicam um quadro de grande estabilidade. Veja relação:

  • Crime e violência (32%)
  • Inflação (32%)
  • Desemprego (29%)
  • Pobreza e desigualdade social (29%)
  • Corrupção (28%).

As variações em relação ao mês anterior são mínimas, indicando que as principais tensões econômicas e sociais continuam presentes, mas sem novos fatores capazes de alterar significativamente a percepção global.

A parcela de pessoas que acredita que seus países estão na direção certa recua levemente para 38%, mantendo um quadro internacional predominantemente marcado pela cautela.

Nos Estados Unidos, a inflação segue como a principal preocupação da população, mencionada por 45% dos entrevistados, e voltou a registrar avanço em relação ao mês anterior. A corrupção financeira e política aparece na sequência, com 38%, índice que representa um crescimento de nove pontos percentuais na comparação com junho de 2025.

O dado que mais chama atenção, porém, é o avanço da preocupação com o extremismo. O tema saltou nove pontos percentuais em apenas um mês, alcançando 23% das menções e assumindo a terceira posição entre os principais receios dos norte-americanos.

O movimento ocorre em meio ao aumento da polarização política, à maior visibilidade de grupos radicais e à intensificação dos debates sobre violência política e disputas ideológicas no país.

Esse cenário também se reflete na avaliação sobre os rumos dos Estados Unidos. Apenas 28% dos entrevistados afirmam que o país está na direção certa, queda de dois pontos percentuais em relação a maio e um dos piores resultados registrados entre os países do continente.

Na Argentina, os resultados continuam refletindo os efeitos do processo de ajuste econômico conduzido pelo governo. O desemprego permanece como a principal preocupação nacional, citado por 57% dos entrevistados, seguido por pobreza e desigualdade social (42%) e inflação (39%).

Embora os indicadores tenham apresentado poucas variações no último mês, chama atenção a continuidade da queda da preocupação com criminalidade e violência, que atingiu 35%, acumulando recuo de dez pontos percentuais na comparação anual.

Os números sugerem uma mudança gradual das prioridades da população argentina, cada vez mais voltadas para questões relacionadas à renda, ao emprego e ao custo de vida.

Ao mesmo tempo, a percepção sobre o rumo do país mostra sinais de recuperação: 43% dos entrevistados consideram que a Argentina está na direção certa, patamar superior ao observado em grande parte dos últimos 12 meses, embora ainda distante dos níveis registrados nos primeiros anos do governo de Javier Milei.

Metodologia

O levantamento foi feito através da plataforma online Global Advisor da Ipsos, entre os dias 22 de maio e 5 de junho de 2026, em uma cobertura de 30 países. No total, 23.534 adultos foram entrevistados.

No Brasil, a amostra foi de aproximadamente mil pessoas, com 16 a 74 anos. Segundo a Ipsos, o levantamento não representa a população geral de forma absoluta.

A amostra é composta por indivíduos mais urbanos, escolarizados e com maior poder aquisitivo do que a média nacional, representando o segmento “conectado” da população.

Margem de erro

Os dados são ponderados para que a composição da amostra de cada país reflita o perfil demográfico da população adulta, de acordo com os dados censitários mais recentes.

A precisão dos dados é calculada por meio de um “intervalo de credibilidade”, baseada na quantidade de entrevistados em cada localidade. No Brasil, a precisão é de aproximdamente 3,5 pontos percentuais.

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