Até 38% dos casos de câncer podem ser prevenidos; veja quais hábitos fazem diferença


Especialista explica por que fatores como tabagismo, alimentação e sedentarismo pesam mais do que a genética

Publicado em 29 de julho de 2026 às 13:40

Quimioterapia é uma das opções de tratamento para câncer colorretal em estágios mais avançados
Até 38% dos casos de câncer podem ser prevenidos; veja quais hábitos fazem diferença Crédito: Freepik

Embora a herança genética seja frequentemente apontada como a principal causa do câncer, a maior parte dos tumores está relacionada a fatores que podem ser modificados ao longo da vida. Ainda assim, um em cada quatro brasileiros desconhece que a doença pode ser prevenida. É o que mostra uma pesquisa do Observatório da Saúde Pública, segundo a qual 25% da população não sabe que parte dos casos de câncer pode ser evitada por meio de mudanças no estilo de vida.>

O levantamento também revela que muitos fatores de risco ainda são pouco reconhecidos. Enquanto 71,3% dos entrevistados associam o consumo de bebidas alcoólicas ao câncer e 70,7% fazem essa relação com alimentos embutidos, apenas 48,3% identificam o sedentarismo como fator de risco. A carne vermelha, por exemplo, é apontada por apenas 27,5% dos brasileiros.>

Ao final da celebração, deixou uma reflexão que resume o espírito do evento e que acabou sendo amplamente compartilhada pelos participantes: “A morte acontece uma única vez. Em todos os outros dias existe a vida. E a vida merece ser celebrada.” por Reprodução

Segundo o oncologista Carlos Frederico, do Hospital São José, a influência dos hábitos de vida costuma ser muito maior do que a da genética. “Em cerca de 85% dos tumores malignos, as alterações genéticas surgem ao longo da vida em consequência da exposição a fatores ambientais e comportamentais. Apenas cerca de 15% dos casos têm origem hereditária”, explica.>

De acordo com o especialista, aproximadamente 38% dos casos de câncer poderiam ser prevenidos atualmente com a redução dos fatores de risco e a adoção de estratégias preventivas baseadas em evidências científicas. Além disso, muitos tipos da doença apresentam altas chances de cura quando são diagnosticados precocemente, permitindo tratamentos menos agressivos e melhores resultados.>

Os principais fatores de risco>

Entre os hábitos que mais aumentam o risco de desenvolver câncer estão o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a alimentação inadequada, o sedentarismo, a exposição excessiva ao sol e algumas infecções crônicas. O cigarro, o charuto, o cachimbo, o rapé, o narguilé e o cigarro eletrônico estão associados ao aumento do risco de diversos tipos de câncer, especialmente na boca, faringe, laringe e esôfago. O álcool também está relacionado ao desenvolvimento de tumores na cavidade oral, esôfago, estômago, fígado, intestino e mama.>

Na alimentação, especialistas recomendam reduzir o consumo de carnes processadas, defumadas, curadas ou salgadas, além de embutidos como salsicha, linguiça, mortadela e salame, classificados como alimentos com potencial carcinogênico. O sedentarismo também merece atenção. Segundo o oncologista, a combinação entre alimentação saudável e prática regular de atividade física pode prevenir cerca de 30% dos casos de câncer no Brasil.>

Outro fator importante é a exposição aos raios ultravioleta. O câncer de pele, associado principalmente à radiação solar, representa cerca de 32% dos tumores diagnosticados no país. As infecções crônicas também fazem parte da lista. Estima-se que aproximadamente 10% dos casos de câncer diagnosticados no mundo em 2022 estejam relacionados a agentes como o HPV, os vírus das hepatites B e C, a bactéria Helicobacter pylori e o vírus Epstein-Barr.>


Para diminuir as chances de desenvolver a doença, a recomendação é adotar hábitos saudáveis ao longo da vida. “Não fumar, manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras, legumes, fibras e antioxidantes, moderar o consumo de álcool, praticar atividade física regularmente e proteger-se do sol são medidas fundamentais para reduzir o risco de câncer”, orienta Carlos Frederico.>

O especialista também destaca a importância da vacinação contra infecções relacionadas ao desenvolvimento de tumores. A vacina contra o HPV ajuda a prevenir cânceres de colo do útero, pênis, ânus, garganta e vulva. Já a imunização contra a hepatite B reduz o risco de infecção crônica pelo vírus, uma das principais causas do câncer de fígado.>

Além da prevenção, manter os exames de rastreamento em dia continua sendo uma das estratégias mais importantes para aumentar as chances de diagnóstico precoce. Entre eles estão mamografia, exame de Papanicolau, colonoscopia e os exames de próstata, como PSA e toque retal.>

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