A partir dos 60 anos: cientistas concluem que estes 4 hábitos protegem o cérebro e evitam a demência | Notícias de hoje

E se, tal como treinamos os músculos para manter o corpo saudável, também fosse possível “treinar” o cérebro para preservar as capacidades cognitivas à medida que envelhecemos?

Um estudo realizado na Finlândia sugere que sim. Em vez de procurar uma solução milagrosa, os investigadores testaram uma combinação de hábitos que atuam em diferentes áreas da saúde: alimentação, exercício físico, treino cognitivo e controlo dos fatores de risco cardiovasculares.

Os resultados foram positivos. Publicado na revista científica The Lancet, o estudo concluiu que esta intervenção multidisciplinar pode ajudar a melhorar ou manter a função cognitiva em pessoas mais velhas que apresentam um risco aumentado de declínio cognitivo.

A investigação faz parte do chamado estudo FINGER e acompanhou 1260 pessoas entre os 60 e os 77 anos, durante dois anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu apenas aconselhamento geral sobre saúde, enquanto o outro participou num programa que combinava as diferentes estratégias.

E é precisamente nesta combinação que está o interesse do estudo.

1. Fazer exercício físico

O primeiro “treino” para o cérebro começa, curiosamente, no corpo.

O programa incluía exercício físico regular como uma das componentes da intervenção. A atividade física faz parte de uma abordagem global destinada a reduzir fatores associados ao declínio cognitivo e a manter a saúde geral.

A ideia não é transformar toda a gente num atleta. É, antes, integrar o movimento na rotina e evitar um estilo de vida excessivamente sedentário.

2. Ter atenção à alimentação

A alimentação foi outra das componentes do programa.

Os participantes receberam aconselhamento nutricional, integrado numa estratégia mais abrangente de promoção de um estilo de vida saudável. O objetivo era atuar sobre fatores que podem influenciar a saúde cerebral e cardiovascular.

Ou seja, quando se fala em proteger o cérebro, a alimentação não deve ser vista como uma solução isolada, mas como uma peça de um puzzle maior.

3. Exercitar o cérebro

Se os músculos precisam de estímulo para se manterem ativos, o mesmo princípio pode ser aplicado à atividade cognitiva.

O programa incluía treino cognitivo, com exercícios destinados a trabalhar diferentes capacidades mentais. A investigação avaliou áreas como a memória, as funções executivas e a velocidade de processamento.

E este é um dos pontos mais interessantes da investigação: os participantes não foram simplesmente aconselhados a “manter a mente ativa”. Fizeram parte de uma intervenção estruturada, acompanhada pelos investigadores.

4. Controlar a saúde cardiovascular

A quarta peça do “ginásio para a mente” pode ser menos óbvia: cuidar do coração também é cuidar do cérebro.

O programa incluía acompanhamento dos fatores de risco vasculares e metabólicos. A intervenção procurava, assim, atuar sobre problemas como a pressão arterial e outros fatores relacionados com a saúde cardiovascular.

Esta ligação entre coração, vasos sanguíneos e cérebro é particularmente importante quando se fala de envelhecimento e declínio cognitivo.

Os resultados foram melhores no grupo que fez o programa

Ao fim de dois anos, os investigadores encontraram uma diferença estatisticamente significativa na evolução do desempenho cognitivo entre os dois grupos. A conclusão foi que a intervenção multidisciplinar poderia melhorar ou manter a função cognitiva em pessoas mais velhas com risco acrescido.

Importa, no entanto, colocar os resultados em contexto. O estudo não demonstra que estes quatro hábitos impeçam definitivamente uma pessoa de desenvolver demência. O que demonstra é que uma intervenção que combina diferentes dimensões do estilo de vida pode ter efeitos benéficos na função cognitiva.

E há uma lição particularmente interessante: talvez não seja necessário escolher entre “comer bem”, “fazer exercício” ou “treinar a memória”. O benefício poderá estar precisamente em fazer várias destas coisas em conjunto.

O estudo original foi publicado na The Lancet e pode ser consultado aqui.


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