LIG D&A desenvolve tecnologia para controlar enxames de drones em missões simultâneas de vigilância e reconhecimento
Sistema sul-coreano permite que múltiplos UAVs de pequeno porte formem, mantenham e reorganizem automaticamente suas formações durante a missão, reduzindo a carga de trabalho dos operadores e ampliando a área que pode ser coberta simultaneamente
SEUL — A sul-coreana LIG Defense&Aerospace (LIG D&A) está avançando no desenvolvimento de tecnologias de controle autônomo destinadas à operação coordenada de múltiplos veículos aéreos não tripulados (UAVs), permitindo que pequenos drones trabalhem coletivamente como um enxame em missões de vigilância e reconhecimento.
A tecnologia foi concebida para permitir que diversos UAVs sejam empregados simultaneamente sem que cada aeronave precise ser controlada individualmente por um operador. Em vez disso, o sistema gerencia coletivamente a formação, o posicionamento relativo dos aparelhos e a distribuição das tarefas atribuídas ao grupo.
Entre as principais capacidades estão o controle autônomo de formação e o gerenciamento do comportamento do enxame. Os drones podem organizar-se em diferentes disposições de voo, aproximar-se para formar o grupo, manter automaticamente distâncias adequadas entre as aeronaves e, quando necessário, separar-se ou reorganizar a formação de acordo com a missão.
A abordagem está alinhada à estratégia mais ampla da LIG D&A para sistemas não tripulados. A empresa confirmou recentemente que trabalha com a sul-coreana PABLO AIR, especializada em controle autônomo de enxames, por meio de acordos envolvendo software, hardware, coordenação de enxames e tecnologias de voo autônomo. O objetivo declarado é avançar tanto o voo coletivo quanto a execução autônoma de missões por sistemas aéreos não tripulados.
Um operador para vários drones
O ganho operacional mais importante está na possibilidade de comandar diversos UAVs como uma única unidade.
Em operações convencionais, aumentar o número de drones pode exigir aumento correspondente de pilotos, operadores de sensores e estações de controle. Em uma arquitetura de enxame, parte das tarefas de navegação, separação, coordenação e posicionamento passa a ser executada automaticamente pelo próprio sistema.
Assim, o operador pode concentrar-se no objetivo da missão — por exemplo, determinar uma região a ser observada — enquanto o software distribui os drones pelo espaço disponível.
O conceito permite, por exemplo, que diferentes UAVs cubram simultaneamente setores distintos de uma área de interesse. Caso seja necessário concentrar sensores sobre determinado ponto, os aparelhos podem aproximar-se e reorganizar a formação; posteriormente, podem voltar a dispersar-se para ampliar novamente a cobertura.
A PABLO AIR descreve seus próprios sistemas como capazes de automatizar inclusive decolagem e pouso de múltiplos UAVs e programar operações de enxame, reduzindo a carga operacional sobre as equipes em terra.
Vigilância distribuída no campo de batalha
Para missões militares de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento — ISR —, o emprego de diversos pequenos drones oferece uma vantagem importante: distribuir os sensores pelo campo de batalha.
Em vez de depender de uma única aeronave observando uma grande área, um enxame pode posicionar diferentes plataformas sobre setores específicos, aumentando a persistência da vigilância e diminuindo o risco de perder toda a capacidade de reconhecimento caso um aparelho seja abatido ou apresente falha.
A arquitetura também permite observar um mesmo alvo a partir de diferentes posições, acompanhar simultaneamente vários contatos ou dividir uma área extensa em setores de busca.
A PABLO AIR já apresenta drones de reconhecimento de sua família militar PabloM, como os R10s e R20s, concebidos para vigilância persistente e coleta de informações de alvos em tempo real. Esses dados podem posteriormente ser transmitidos a outros componentes do sistema.
Para uma força militar, isso pode acelerar significativamente o ciclo entre detecção, identificação e transmissão da localização do alvo, especialmente quando os sensores aéreos estão conectados diretamente aos sistemas de comando e controle.
Drones precisam “entender” a posição uns dos outros
Um dos desafios mais complexos do voo em enxame é evitar que dezenas de aeronaves interfiram umas nas outras.
O sistema precisa conhecer continuamente a localização, direção, velocidade e trajetória de cada UAV e manter uma separação segura mesmo durante mudanças bruscas de formação.
No conceito desenvolvido pela LIG D&A, os drones podem juntar-se autonomamente ao enxame, manter a formação e posteriormente separar-se, preservando o espaçamento necessário entre as aeronaves.
Isso significa que a formação não precisa permanecer rígida durante toda a missão.
Um grupo poderia iniciar o voo concentrado, dispersar-se para realizar reconhecimento sobre uma área extensa, reunir-se novamente e posteriormente dividir-se em vários subgrupos — tudo sem exigir que um operador pilote manualmente cada aeronave durante essas transições.
Essa característica é particularmente importante para operações em ambientes complexos, nos quais a geometria da formação pode precisar mudar continuamente em função do terreno, das ameaças ou dos objetivos da missão.
Cooperação com especialista em enxames
A estratégia da LIG D&A também envolve absorver tecnologias desenvolvidas no setor privado sul-coreano.
Em abril, durante seu primeiro Tech Summit, a empresa destacou explicitamente a tecnologia de controle autônomo de voo em enxame da PABLO AIR entre as soluções que pretende incorporar ao ecossistema de Defesa da Coreia do Sul. A LIG D&A informou que mantém acordos de software e hardware com a empresa para desenvolver capacidades mais avançadas de coordenação e execução autônoma de missões.
A PABLO AIR afirma ter alcançado capacidades avançadas de coordenação coletiva, incluindo compartilhamento de dados em tempo real entre as aeronaves e tomada de decisão assistida por inteligência artificial dentro do enxame. A empresa também desenvolve UAVs capazes de realizar missões coordenadas de reconhecimento e ataque.
A LIG D&A, por sua vez, atua como integradora de sistemas e possui atividades em sensores, radares, guerra eletrônica, comunicações, armas guiadas e plataformas não tripuladas, permitindo que tecnologias de enxame sejam inseridas em arquiteturas militares mais amplas.
Do reconhecimento para missões mais complexas
Embora a tecnologia descrita esteja diretamente associada à vigilância e reconhecimento simultâneos, o controle autônomo de formação constitui uma das bases para aplicações muito mais amplas.
A mesma lógica que permite distribuir drones de reconhecimento pode ser utilizada para retransmissão de comunicações, guerra eletrônica, designação de alvos ou emprego coordenado de diferentes tipos de UAV.
A própria LIG D&A vem ampliando o investimento em sistemas autônomos. Em 2026, a companhia também firmou parcerias envolvendo drones interceptadores baseados em inteligência artificial e integração de radares AESA, sistemas de guerra eletrônica e armamentos em UAVs de maior porte.
Isso aponta para uma arquitetura na qual diferentes classes de sistemas não tripulados poderão operar de maneira coordenada.
Um grupo de pequenos drones poderia realizar a busca inicial. Outros sistemas poderiam assumir o acompanhamento de determinados contatos, enquanto uma plataforma diferente realizaria a identificação ou forneceria os dados para outros elementos da força.
Autonomia de voo não significa autonomia para decidir ataques
Há, entretanto, uma distinção importante.
O fato de os drones poderem organizar autonomamente formações, navegar coletivamente e distribuir determinadas tarefas não significa necessariamente que tenham autoridade para selecionar e atacar alvos sem intervenção humana.
As informações divulgadas sobre esta tecnologia específica concentram-se principalmente no controle de voo, coordenação do enxame e execução distribuída de missões de vigilância e reconhecimento.
Essa diferença é relevante porque “autonomia” pode designar desde funções relativamente simples — como manter distância de outro drone — até decisões muito mais complexas relacionadas ao uso de armamento.
No caso do sistema de controle de enxames da LIG D&A, o avanço fundamental está na capacidade de transformar vários pequenos UAVs independentes em uma formação cooperativa capaz de reorganizar-se durante o voo e cumprir missões simultâneas.
Num campo de batalha em que centenas ou milhares de drones podem estar presentes, essa capacidade representa uma mudança importante: o desafio deixa de ser simplesmente colocar mais aeronaves no ar e passa a ser conseguir coordená-las como uma força única, distribuída e parcialmente autônoma.■
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