O lago da América do Sul que desapareceu nas imagens do satélite da NASA

Existe um lago na América do Sul que pode praticamente sumir das imagens de satélite e, algum tempo depois, voltar a ocupar parte da paisagem.

Esse comportamento chama a atenção porque, embora o desaparecimento e o retorno da água não sejam fenômenos inéditos, as condições atuais levantam uma preocupação diferente.

Com temperaturas mais altas e períodos de seca mais frequentes, cientistas temem que um futuro desaparecimento possa se tornar permanente.

O lago da América do Sul que desapareceu nas imagens do satélite da NASA

Trata-se do lago Poopó, localizado no altiplano da Bolívia, no departamento de Oruro, a mais de 3.600 metros de altitude.

Considerado durante anos o segundo maior lago boliviano, ele chegou a ocupar aproximadamente 3 mil quilômetros quadrados.

Sua pouca profundidade, porém, faz com que sua extensão varie drasticamente conforme a quantidade de água disponível.

Essa transformação pode ser acompanhada do espaço. Imagens de satélite da NASA registraram diferentes momentos do Poopó, mostrando como grandes superfícies cobertas por água podem dar lugar a um terreno seco e salino.

O fenômeno já ocorreu outras vezes. O lago ficou seco durante períodos das décadas de 1930, 1940 e 1990 e voltou a apresentar água posteriormente. Em 2015, um novo desaparecimento ganhou repercussão internacional.

A explicação está principalmente no delicado abastecimento do Poopó. Cerca de 90% de sua água chega pelo rio Desaguadero, conectado ao lago Titicaca.

Quando o nível do Titicaca diminui, menos água segue para o Poopó. Como o lago é raso e está exposto à intensa radiação solar do altiplano, a evaporação pode superar rapidamente a reposição.

Em épocas de chuvas abundantes e recuperação do sistema hídrico, o fluxo aumenta e a água reaparece.

Capacidade de recuperação do lago preocupa estudiosos

O problema é que esse equilíbrio está ficando mais difícil de manter. Além das variações naturais e dos efeitos associados ao El Niño, a água do Desaguadero é utilizada para irrigação e atividades agropecuárias.

A mineração também contribuiu com sedimentos e poluentes, alterando as condições ambientais da região.

As mudanças climáticas acrescentam uma pressão ainda maior. O aumento das temperaturas nos Andes intensifica a evaporação, enquanto períodos secos mais frequentes reduzem a capacidade de recuperação do lago.

No passado, anos de seca podiam ser compensados por sequências prolongadas de chuvas. Esse padrão tornou-se menos previsível.

Por isso, o desaparecimento observado pelos satélites não representa apenas uma curiosidade geográfica.

Para pesquisadores, cada novo período sem água aumenta a dúvida sobre a capacidade do Poopó de repetir um ciclo que, durante décadas, permitiu que ele desaparecesse e depois voltasse.

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