Cabo Verde contabiliza 177 infecções por covid-19 desde o início do ano, com a capital a concentrar perto de metade dos registos, num cenário de vigilância reforçada
O Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) de Cabo Verde divulgou o balanço acumulado de casos de covid-19 no arquipélago desde Janeiro, apontando para 177 infecções confirmadas. A grande maioria das detecções está localizada na ilha de Santiago, sendo que a cidade da Praia, sozinha, responde por 82 ocorrências – praticamente metade do total nacional.
Em comunicado, a entidade sublinhou que, nas últimas semanas, se observou uma tendência de crescimento na detecção da doença, com maior expressão justamente em Santiago. Santa Catarina surge a seguir, com 30 casos, seguida por São Domingos (25), São Lourenço dos Órgãos (16), São Miguel (11), e Santa Cruz, com apenas três registos. Fora da ilha de Santiago, São Vicente contabiliza oito casos, enquanto o Fogo e São Nicolau apresentam, cada, um único caso, nos concelhos dos Mosteiros e da Ribeira Brava, respectivamente.
Perante esta evolução, o INSP recomendou à população que redobre os cuidados, em especial em espaços fechados, com pouca ventilação ou que registem grande afluência de pessoas. Quem apresentar sintomas respiratórios deve, de igual modo, evitar o contacto próximo com terceiros e intensificar as medidas de protecção, de modo a conter o risco de transmissão.
Em Fevereiro de 2025, a propósito do quinto aniversário da chegada do vírus a África, a presidente do INSP, Maria da Luz Lima, recordara à Lusa que o país deu um salto qualitativo na capacidade laboratorial durante a pandemia. “Foi possível instalar, rapidamente, laboratórios de alta tecnologia”, expandir unidades de virologia e montar uma unidade de sequenciação genómica, o que permite, agora, rastrear novas ameaças sem depender do envio de amostras para o estrangeiro.
O arquipélago viveu o seu primeiro caso positivo a 19 de Março de 2020, num turista britânico, e desde então, segundo dados do Ministério da Saúde, acumulou 64.109 infecções e 414 óbitos. Desta vez, embora os números estejam longe dos picos históricos, o INSP prefere não baixar a guarda e insiste na prevenção como ferramenta essencial.
O site oficial do Instituto, actualizado hoje, é a fonte dos dados divulgados, e os responsáveis sublinham que a vigilância continua activa, mesmo com o ciclo epidémico mais controlado do que em anos anteriores. As melhorias introduzidas nos laboratórios nacionais – uma herança dos tempos mais críticos da crise sanitária – permitem hoje uma resposta mais ágil e localizada, sem os estrangulamentos logísticos que marcaram o início da década.
NR/HN/Lusa
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