Venezuela: Oposição denuncia fragilidades do Estado na resposta aos sismos

A principal coligação da oposição venezuelana, Plataforma Unitária Democrática (PUD), afirmou hoje que os dois sismos que abalaram o país há uma semana revelaram “graves fragilidades” do Estado para lidar com uma catástrofe de tal envergadura, num momento em que o número de mortos se aproxima das duas mil vítimas e os desaparecidos podem ultrapassar as 50 mil pessoas, segundo estimativas de organismos internacionais

A declaração da coligação opositora, publicada na rede social X, surge numa altura em que o Governo de Nicolás Maduro ainda não actualizou o registo de desaparecidos desde o último balanço oficial, que contabiliza 1.997 óbitos e 10.571 feridos. A PUD sublinhou que a tragédia expôs a “degradação institucional” acumulada ao longo dos anos, cujo custo está a ser suportado agora pela população. “Esta tragédia também pôs em evidência as graves fragilidades do Estado para responder a uma emergência desta magnitude, consequência de anos de degradação institucional, cujo preço os venezuelanos pagam hoje”, lê-se na mensagem.

A aliança política colocou-se à disposição de todos os cidadãos afectados e manifestou a intenção de “acompanhar e contribuir para os esforços de solidariedade de que o país necessita neste momento”. Aos enlutados e desalojados, a PUD deixou uma mensagem de esperança, frisando que “a Venezuela voltará a erguer-se com a solidariedade do seu povo e com instituições capazes de proteger a vida de todos”.

Entretanto, as operações de busca e salvamento continuam a decorrer nas zonas mais atingidas, com o Executivo a reportar o resgate de 6.461 pessoas. Os dados oficiais apontam ainda para 855 edifícios com danos, dos quais 189 sofreram colapso total. Uma avaliação preliminar, efectuada por satélite com recurso à metodologia RAPIDA do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), estima os prejuízos em bens materiais – habitações, veículos e estabelecimentos comerciais – em cerca de 6.700 milhões de dólares (aproximadamente 5.700 milhões de euros).

No terreno, o Governo venezuelano garante ter já prestado assistência a 80.870 famílias, estando mobilizados 26.121 efectivos das forças de segurança e militares, apoiados por 3.660 operacionais estrangeiros especializados em resgate, 148 cães de salvamento e 49 veículos de apoio. Acresce que 15.467 pessoas se inscreveram como voluntárias para colaborar nas tarefas de socorro. A resposta internacional incluiu o envio de equipas de busca e salvamento por parte de Portugal e de outros Estados-membros da União Europeia (UE), cuja base de operações da missão lusa se encontra em Catia la Mar, no estado de La Guaira, uma região com forte comunidade portuguesa e lusodescendente.

O abalo sísmico, que teve o seu epicentro a 200 quilómetros de Caracas, foi sentido com grande intensidade e sucedido por centenas de réplicas, de acordo com os registos do Serviço Geológico dos Estados Unidos. A diáspora portuguesa na Venezuela foi particularmente atingida, tendo as autoridades lusas confirmado a morte de pelo menos 71 cidadãos portugueses ou de origem portuguesa, enquanto outros 71 permanecem desaparecidos ou incontactáveis, num cenário que continua a gerar angústia e apreensão entre as famílias.

NR/HN/Lusa

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